26 de março de 2009

Teologia da Prosperidade:Jesus ou Je$u$ ?

1 comentários

Queridos leitores, o que dizer diante de um "pobre" comentário como esse extraído da Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira, Editora Central Gospel ?

Apesar de recente, o Neopentecostalismo, este fenômeno religioso logo se fortaleceu ao reinterpretar o evangelho de Cristo de maneira triunfalista, desprezando doutrinas bíblicas, como a soberania de Deus e o sofrimento do justo, em busca obsessiva pela saúde e sucesso financeiro. Uma teologia que acumula “visões” extravagantes, interpretações bíblicas arbitrárias, mitos e filosofias pagãs que ameaçam os fundamentos da verdadeira fé.
Embora pareça, à primeira vista, convincente e fascinante, este “novo evangelho” vem atrapalhando a compreensão da verdade e enganando suas vítimas, levando-as a trocar a graça redentora do Cristo Vivo por ensinos heréticos.

A igreja do século XXI - Você gosta de Dinheiro?
Normalmente a resposta a esta pergunta seria “sim”. Todavia, se a reformulássemos para: “Você gosta de dinheiro falso?”
Provavelmente ouviríamos algo diferente. Por mais que as pessoas afirmem não gostar da mentira, a verdade é que milhões são enganados por ela, todos os dias. Vejamos a seguir:
Políticos que manipulam as pessoas com dados e promessas falaciosas; uma mídia cada vez mais parcial e tendenciosa cria e impõe condutas de vida e de beleza, ridicularizando os valores morais; antigos conceitos do falido positivismo ganham nova roupagem nos livros de auto-ajuda e a astrologia prossegue enganando suas vítimas com horóscopos; as instituições, criadas para promover a justiça e o bem-estar social, acham-se gastadas pela corrupção; estranhas e variadas propostas religiosas se alastram, conquistando adeptos em todas as camadas da sociedade com ensinos que reproduzem e adaptam diversas crenças milenares.
Vivemos num mundo rodeado pelas mais diversas formas de mentira.
Recentemente, a Coréia do Sul descobriu que um de seus mais cultuados cientistas manipulava e forjava os resultados de pesquisas genéticas; a despeito da histórica visibilidade e aceitação, a Evolução das Espécies, do naturalista Charles Darwin, jamais foi satisfatoriamente comprovada e, mesmo assim, é ensinada como se fosse uma incontestável verdade.

Reino de Deus ou de Mamom? O Evangelho da Prosperidade
Uma das maiores mentiras para a Igreja é esta herética teologia egocêntrica, chamada teologia da prosperidade.
Milhões de cristãos em todo o mundo estão aprendendo a “exigir seus direitos”, através destes ensinos e ainda reivindicam saúde, prosperidade e sucesso total. Acreditam-se praticamente invulneráveis a qualquer sofrimento e aprendem que não podem sequer admitir sua possibilidade. Palavras de ordem, supostamente dotadas de autoridade são utilizadas reiteradamente: “Está amarrado!” – e magicamente as artimanhas satânicas são prontamente bloqueadas e banidas. “Eu profetizo!” – e as bênçãos ou vitórias esperadas se concretizam. “Eu rejeito esta enfermidade!”. “Eu não estou doente. Satanás está tentando me enganar, pois Jesus já levou todas as minhas enfermidades na cruz do Calvário!” “Tenho direito bíblico à prosperidade!” “Eu determino!” “Sou um deus!”
Frases como estas estão se tornando cada vez mais comuns. Serão mesmo verdadeiras?
Por que os apóstolos de Cristo se omitiriam acerca de tais “direitos?” E quanto aos Pais da Igreja? Por que deixariam de nos transmitir tão relevante ensino a respeito da autoridade do crente?

Parte dos “portadores” deste “evangelho” são renomados e bem-sucedidos. Sua influência cresce a cada dia. Artigos, livros, jornais, programas de televisão, sites, campanhas ao redor do mundo, seminários teológicos, conferências, Bíblias de estudo dedicadas ao tema, e outros tantos recursos publicitários ou tecnológicos asseguram aos cristãos e seus líderes o “direito” de reivindicarem as bênçãos judaicas do Antigo Testamento para a Igreja Cristã.
Através de manobras interpretativas, promessas concedidas exclusivamente a Israel passam a “pertencer” à Igreja, sem muito esforço. Embora reconheçamos que a história hebraica revele forte ligação entre a obediência e a promessa de que a terra produziria boas colheitas e riquezas, não devemos supor que tal ligação persista, pela simples razão de que Deus, nesta era, já não trabalha com um povo restrito a uma nação geográfica. Ao contrário, Ele preferiu escolher um povo para proclamar seu nome que fosse proveniente de todas as nações do mundo, formando um novo corpo, conhecido como Igreja.

No Novo testamento, as promessas de bênçãos espirituais são dadas aos que permanecem fiéis ao Senhor, mas inexistem promessas de riquezas ou saúde. A realidade cristã inclui perseguições e provações, tais como as que próprio Cristo experimentou (Fil.3:8-10; 4:11,12, Rm 12:12,14,Hb 11:35-37,I Pe2:19;3:14, II Tm. 3:12).

Infelizmente, muitos cristãos ainda não compreenderam que Deus pode usar os problemas da vida para moldá-los à imagem de Cristo. Desconsiderando essas importantes distinções, os pregadores da Teologia da Prosperidade levam seus seguidores a “barganharem” ou, ainda a “desafiarem” Deus a abençoá-los mediante uma grande oferta, quase sempre definida como “semente” ou “sinal de fé”. Aos contestadores desta “teologia” é dito: “Quem é você para dizer o que Deus pode ou não fazer?”
A questão, porém, não é o que Deus pode ou não fazer; e sim, se Ele prometeu algo, e se temos o direito de insistir para que se cumpra tal promessa.

Joyce Meyer, famosa conferencista internacional, atualmente em "moda", afirma: “A Bíblia inteira realmente tem uma só mensagem: ‘obedeçam-me, fazendo o que eu ordenar, e então serão abençoados’”.
Será esta uma justa síntese da mensagem bíblica?
E quanto às mensagens da cruz, do arrependimento e do amor ao próximo? Aos Gálatas, Paulo diz (5:14): “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Meyer, assim como Kenneth Hagin, Hagin Jr., Benny Hinn, Oral Roberts, T.L. Osborn e outros ensinam que Jesus não efetuou na cruz a completa reparação dos nossos pecados, conforme a Bíblia o faz. Para eles, Jesus precisou ir ao inferno para ser atormentado durante três dias, a fim de completar a redenção da humanidade. (“The Most Important Decision You Will Ever Make: A Complete And Thorough Understanding of What It Means To Be Born Again”, 1991, páginas 35-36 do original de Joyce Meyer).
Em “que” ou “em quem” devemos crer? Tomando por base a atitude dos bereanos, que submeteram os ensinos de Paulo à autoridade das Escrituras (At.17:11), devemos analisar se estas e outras declarações merecem credibilidade.
Jesus reconheceu a existência permanente dos pobres, sem emitir qualquer juízo depreciativo a respeito deles(MT 26:11).
Ao contrário do Jesus, muitas denominações cristãs, insistem em desprezar a santificação e o ensino sistemático das Escrituras, em detrimento da prosperidade financeira.
A que tipo de comunidade você pertence? Você tem ouvido e pregado um evangelho autêntico? Ou se acomodou a uma espécie de evangelho pessoal, adaptado às próprias necessidades financeiras e profissionais?
O nome de Jesus está além de nossas ambições. Não deve ser encarado ou usado como uma espécie de amuleto, pronto para “materializar nossos desejos”. Segundo a Palavra de Deus, o amor ao dinheiro está associado à idolatria e é a “raiz de todos os males” ( Col. 3.5 ; 1 Tm. 6.10).
Não obstante, a tentativa de associar o sucesso financeiro à aprovação do Todo-Poderoso fica bastante clara quando assistimos a “testemunhos” que, em lugar de mencionarem o milagre da salvação e a transformação do caráter, esmeram-se em descrever façanhas econômicas, tais como a aquisição de carros de luxo, imóveis suntuosos e etc.

Freqüentar qualquer igreja cristã com o objetivo de enriquecer, tratando o dízimo ou as ofertas como investimentos de curto prazo, é algo abominável e de conseqüências eternas. A riqueza é um dom de Deus que nem todos poderão desfrutar (Ecl. 5:19).

Além de materialista, a teologia da prosperidade também é anti-devocional. A oração, um poderoso instrumento de intimidade com Deus foi reduzida a uma espécie de mecanismo de pressão. Outros “pastores” também ensinam os fiéis a orar “determinando”, “exigindo”, “reivindicando” “profetizando” as bênçãos de Deus, e estas palavras nem aparecem no Novo testamento e se esquecem que o Deus da Bíblia não é Papai Noel pronto para presentear a todos e nem Office Boy para atender nossos pedidos. Petições egocêntricas tencionam confrontar e intimidar a Deus. O ensino chamado “Há poder em suas palavras” é evocado como substituto da prática da oração (1Ts. 5.17). Dessa forma, o misticismo e até mesmo o ocultismo vai assumindo o lugar da piedade cristã. Como resultado, milhares se afastam da Igreja, frustrados, por não terem obtido respostas positivas às suas orações. Julgam-se decepcionados com Deus, mas nem chegaram a conhece-lo; foram vítimas de uma teologia pervertida e irresponsável.
A ausência de conhecimento bíblico pode nos levar à destruição (Os 4:6).

Bibliografia: Paulo Romero, Evangélicos em Crise e Decepcionados com a Graça, Ed. Mundo Cristão

Comments

1 comments to "Teologia da Prosperidade:Jesus ou Je$u$ ?"

théomendonça disse...
26 março, 2009 23:29

Muito boa a sua postagem.
O comentário da Biblia é:
"A pobreza leva a depressão e ao medo"
A pobreza?
O que vejo é que a riqueza leva a depressão e ao medo.
Como pastor nos EUA posso dizer isso com plena convicção. Os EUA estão em pânico por causa da crise. Os americanos estão desorientados, fazem parte da nação mais rica, mais próspera do mundo.

Pobreza é escravidão?

O que dizer dos 90% dos membros das igrejas evangélicas no Brasil.
São escravos?
Pensei que eram livres, que tinham sido libertos da ganância e da escravidão do dinheiro.

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