4 de dezembro de 2013

Desmascarando maldições hereditárias II

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O alvo do nosso estudo será a falsa doutrina do Evangelho da Maldição, que é um dos produtos da confissão positiva Neo-Pentecostal, e que é também chamado de Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração.
  1. Conceitos Heréticos Sobre Maldição Hereditária
Definição de Maldição Hereditária: "A maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado... A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras. Prognósticos negativos são responsáveis por desvios sensíveis no curso da vida de muitas pessoas, levando-as a viver completamente fora dos propósitos de Deus... As pragas se cumprem." Jorge Linhares, em Bênção e Maldição, Pg. 16.
Resumindo – Essa teoria antibíblica tem a maldição como uma entidade em si mesma que precisa apenas que alguém desencadeie o processo inicial, que é um pecado cometido por uma pessoa num passado remoto ou recente; depois disso, passa a agir com total independência. Não Lega em conta a responsabilidade pessoal. Diz Marilyn Hikey, em seu livro Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária"...mas a maldição da sua terra não foi transmitida pelo pecado pessoal deles ou mesmo dos ancestrais, mas pelos habitantes anteriores (os índios sioux)."
A maldição, segundo a doutrina em questão, opera cegamente atingindo qualquer um ao seu alcance; vai se transmitindo indefinidamente através do tempo, até que um especialista em quebra de maldições a quebre; usa como meio receptor e transmissor um local, um objeto, uma pessoa, uma família, uma cidade, um país etc...; como uma energia maligna invisível, vai se espalhando [conforme os milhares de "testemunhos" baseados em experiências subjetivas e desmentidas pela Bíblia]. A maldição em certas circunstâncias parece operar por si mesma, como um mal invisível que tem personalidade própria e poder de se autodeterminar; já em outras circunstâncias parece ser uma energia maligna operacionalizada por demônios, que são chamados de "espíritos familiares". Essa maldição tem que ser quebrada pela intervenção humana num ritual que difere de especialista para especialista.
Os diferentes elementos do ritual herege da quebra de maldição:
  • Busca de palavras de conhecimento e de revelações extra-bíblicas para se descobrir a causa específica das maldições hereditárias. Na busca das causas da maldição, vale até entrevista com demônios. Marilyn Hickey conta: "Certa vez expulsamos um espírito mau de uma mulher. Perguntamos a ele: ‘Quando você entrou aí?’ Ele respondeu com alguma coisa jocosa. Então indagamos: ‘Por que você está aí?’ Ele respondeu: ‘Porque se eu a peguei, pego também o filho dela!’ Aquela mulher foi liberta!"

  • Declaração de que não se aceita os problemas porque são fruto de maldição;

  • Oração a Deus e Profissão de Fé ao Diabo. Marilyn Hickey narra um caso desses: "Amado Pai Celestial, Tu me amas! Tu enviaste Teu Filho para quebrar esta maldição... Tenho o Seu Nome... Nome que protege. Seu sangue me purifica de imediato. Estou liberto pelo sangue. No Nome de Jesus, amém. Agora, em voz alta, faça esta profissão de fé: ‘Satanás! Tu e os teus maus espíritos do alcoolismo ouviram a oração que acabo de fazer! Tiveste a tua chance, mas o teu poder está quebrado... Em Nome de Jesus, a tua maldição está quebrada... Por isso, diabo, afasta-te daqui e não tornes nunca mais!".

  • Exorcismo com palavras de ordem amaldiçoando a Satanás para amarrá-lo e livrar a geração por ele amaldiçoada. Marilyn Hickey diz: "O diabo é o valente. O que temos de fazer a ele? Amarrá-lo. E depois? Nós lhe tomamos a casa – ou aquela geração! Nós dizemos: Ei, diabo, espere um minuto! A minha geração não pertence a você porque eu o amarrei em Nome de Jesus, e você não vai fazer isso! É isso que fazemos: Rompemos a maldição em Nome de Jesus."

  • Aqui encontramos uma maneira simplista, mística, ilusória, e ineficiente de se enfrentar problemas causados por pecado. Essa é uma fantasiosa vitória sobre o pecado. A fórmula correta de vitória sobre o pecado é arrependimento contínuo que conduz a uma vida de piedade caracterizada por temor a Deus, desejo de Deus e amor a Deus, ou seja, um sincero e humilde cultivo da santidade na dependência do Espírito Santo e obediência da Bíblia.

  • Mudança no Conceito de Pecado: Pecado passa a ser mais uma coisa que herdamos de nossos ancestrais e portanto não somos culpados, do que uma coisa na qual somos responsáveis diretamente.

  • Arrependimento não bíblico: Depois de ser protagonizado e ensinado todo esse confuso e anti-bíblico ritual acima, Marilyn Hickey insatisfeita e insegura de sua metodologia acrescenta a única coisa que era necessária desde o início: "O que quebra a maldição é o arrependimento." – Bastaria o arrependimento, e nada das invenções seria necessário.
2. Heresias Específicas da Doutrina da Maldição Hereditária
a) Antropocentrismo e o Poder Onipotente das Palavras Humanas: Anulação da soberania divina e caos na terra.
  • O poder divino das palavras humanas - As palavras do Evangelho da Maldição têm poder em si mesmas: São comparadas às sementes, que tem dentro de si mesmas o poder para germinar. – "As palavras são como sementes que, caindo em solo próprio, achando as condições favoráveis, germinam, crescem, frutificam..." "Nossas palavras podem alimentar ou anular a ação de Satanás." "Convidei-a para orarmos juntos. Pedimos a Deus a solução dos conflitos emocionais e depois, de comum acordo, quebramos e anulamos a maldição das palavras de zombaria. Naquele momento, o Senhor a libertou." Jorge Linhares, Pgs. 16, 11, 12.

  • Incoerência – Pedem a Deus a solução do problema e depois como se fossem oniscientes e onipotentes decretam a solução desse mesmo problema.

  • Humanismo Mal Disfarçado: O homem é que coloca maldições mediante suas palavras de praga e outro homem, mediante palavras de oração a Deus e repreensão do diabo, quebra essas maldições. Deus entra apenas como ator coadjuvante, com um papel secundário e quase dispensável.

  • Um exemplo de Heresia: Mãe define o futuro da filha por dizer-lhe palavras impensadas – "Quando você se casar e tiver filhas não haverá paz em sua casa. Eles serão contenciosos e a discórdia será uma constante. Depois de algum tempo ela se casou. Vieram os filhos, e a maldição cumpriu-se plenamente. A casa virou um inferno... tivemos um tempo de aconselhamento e oração, e a maldição foi quebrada." Linhares, Pg. 15

  • Teoria Que Implica Caos do Universo – No caso das palavras duras da mãe em relação ao futuro da filha, se é verdade que o lar da moça se tornou um inferno por causa da maldição da mãe, isso seria terrível, pois isso implicaria que o destino das pessoas e do universo estariam no poder das palavras de pecadores inconseqüentes, falíveis e imprevisíveis. Isso geraria um caos e um descontrole total da vida na terra. Isso anularia a própria soberania de Deus no Universo. Isso tiraria o governo das mãos de Deus e o colocaria na boca dos homens. Isso é ridículo, antropocêntrico e anti-bíblico.
b) Deus Depende das Palavras Humanas Para Agir?
  • Um Deus dependente do homem – Este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – "Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar a opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão..." Linhares, Pg. 16, 18
  • Uma caricatura do Deus da Bíblia – Essa afirmativa deixa Deus dependente das palavras humanas para liberar seu poder. É quase como se Deus precisasse de autorização humana para agir. Esse não é o Deus da Bíblia, é, sim, uma grotesca caricatura do Deus da Bíblia. De fato, um Deus destronado pelo homem, que proclama as suas pretensões à divindade quando imagina que suas palavras podem fazer tudo acontecer.
  • Psicoterapia Freudiana Mistificada – ou Doutrina da Transferência de Culpa do Pecador para seus ancestrais. Consiste na transferência da culpa e da responsabilidade do comportamento pecaminoso pessoal de alguém para parentes, amigos, professores etc... que no passado disseram algo impensado.
  • Tentar ajudar alguém, aliviando a sua culpa por transferi-la para "maldições" herdadas da família é apenas uma variação maligna da técnica criada pelo ateu Sigmund Freud, que, em vez de usar "maldição", usa os termos "complexos" e "doença mental" para explicar comportamentos anormais e erros das pessoas, lançando a responsabilidade de seus pecados e crimes em seus parentes e professores de um passado distante..
  • O Evangelho da Maldição é um Processo Sutil de Transferência de Culpa – Seus mentores atribuem todos os pecados à maldição hereditária: "...comecei a perceber nos testemunhos de prostitutas, homossexuais, ladrões e assassinos, que quase sempre seu envolvimento nesses tipos de vida irregular fora precedido por palavras de maldição, proferidas principalmente pelos pais." Linhares Pg.29
Marilyn Hickey diz: "Essas coisas que nos perturbam e apoquentam são, realmente, maldições de famílias ou de gerações – problemas que começaram com os nossos ancestrais e vieram até nós. E o que é pior: eles não vão parar aqui; podem ser transmitidos aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos!"
O pecador que pela sua natureza decaída já gosta de arrumar desculpas para os seus pecados lançando ou transferindo a sua culpa para outros, encontra nesta teoria diabólica um meio fajuto de aliviar sua consciência por lançar sua própria culpa sobre os outros. Adão, após a queda, transferiu sua culpa para Eva, e Eva, para a serpente (Gn 3).
O tremendo mau que o ateu Freud fez através da psiquiatria no mundo secular os defensores da maldição hereditária de família estão fazendo no meio evangélico, criando um bando de gente irresponsável pelos seus próprios pecados.
  • O Evangelho da Maldição usa os ancestrais como bodes expiatórios das culpas presentes dos pecadores. Deus abomina essa inversão maligna: "O que justifica o perverso e o que condena o justo são abomináveis para o Senhor, tanto um quanto o outro." Pv 17.15. A seguir damos exemplos do que acabamos de falar:
Culpar os pais por comportamento homossexual – "depois de ser tanto amaldiçoado, acabei me envolvendo com homossexualismo". (Linhares, Pg. 13).
Confrontação invertida – Mais adiante no livro, Linhares confronta o pai de um jovem homossexual com as seguintes palavras: "...ele [o gay] é homossexual por sua culpa [do pai]... O senhor como pai o amaldiçoou desde pequeno, chamando-o de mulherzinha." Pg. 31.
Responsabilidade invertida – Na confrontação acima ainda diz para o pai: "Tudo pode mudar. Depende de você [se referindo ao pai]." (Pg. 31). O ridículo e anti-bíblico nessa confrontação invertida e absurda de pecados é que Linhares diz que a mudança da situação de homossexualismo do jovem gay depende do pai por quebrar a maldição proferida por ele, e não do rapaz em pecado.
Arrependimento, e não quebra de maldição – Em vez de ficar procurando um bode expiatório no passado para lançar a culpa do pecador, deve-se seguir o processo bíblico de levar o pecador a assumir pessoalmente toda a culpa por seu comportamento pecaminoso, iniciando assim um processo genuíno de arrependimento e restauração.
c) O pacto com o diabo à revelia do consentimento da pessoa. Essa doutrina coloca o diabo como centro de todos os problemas humanos. Podemos fazer um pacto com o diabo entregando outra pessoa a ele? Isso sem que aquele que fez o pacto e o que é entregue saber ou fazer isso conscientemente?
  • O caso de entrega de uma pessoa ao diabo motivada pela maldição da mãe. – A mãe disse para a filha: "Sua burra, preguiçosa, o diabo que te carregue."Em seguida Linhares diz: "Mesmo sem intenção, [essa mãe] entregara a filha ao diabo. (Livro "Benção e Maldição, Pg. 19).
O homem de Corinto é entregue a Satanás por causa de seus próprios pecados, e não porque alguém com raiva dele decidiu fazer isso (1 Co 5.1-5). A decisão de entrega espiritual de vida tem de ser algo individual e intransferível.
Essa pseudo-guerra contra o diabo é um espetáculo de supervalorização dele com desvalorização da soberania de Deus. Deus é o soberano absoluto do Universo, o sumo bem, e faz o que lhe apraz (Sal 135:6).
d) A Palavra de Deus versus as Palavras do Homem.
As palavras humanas têm poder em si mesmas para realizar aquilo que dizem? A resposta é não. As palavras que têm poder em si mesmas são as palavras de Deus, escritas na Bíblia.
Quanto poder têm as palavras humanas? Somente o poder que Deus queira lhes dar conforme o Seu propósito. A palavra humana que tem poder é aquela que é falada em nome de Deus, como no caso dos profetas bíblicos, ou dos pregadores da Palavra escrita na Bíblia.
"Assim veio a Palavra do Senhor por intermédio do profeta Jeú, filho de Hanani, contra Baasa e contra a sua descendência." 1 Re 16.7 - "disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade." 1 Re 17.24
A palavra que não volta vazia sem cumprir o seu propósito é a palavra de Deus e não a palavra dos homens: "assim será a palavra que sair da minha boca: Não voltará para mim vazia mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei." Is 55.11.
O poder e efeito das palavras do homem são como a flor que murcha, mas a palavra de Deus é diferente: "seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente." Is 40.8. Portanto, não é a palavra dos homens que devemos temer, mas a Palavra de Deus.
Quanto poder tem a "Palavra de Fé" ou pronunciado com fé, conforme Marcos 11.21-24? – O que é de errado com a "confissão positiva"?
"Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou. Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz assim será com ele. Por isso, digo-vos que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco."
Os defensores da Confissão Positiva interpretam mal esse texto, como se Deus estivesse dando total soberania e poder irrestrito às palavras do homem (poder para conseguir qualquer coisa, bastando para isso pronunciar, declarar ou confessar o que se quer], e a chave dessa soberania seria a fé. Mas o que seria essa fé em Mc 11.21-24? É fé centralizada em Deus: "Tende fé em Deus." (v. 22); é fé que não carece de sinais visíveis (Jo 20.29; II Co 5.7).
O que essa fé não é: não é fé na fé – ou seja, como se a fé fosse algo em que se deva confiar. Não se deve confiar no poder da fé, mas na pessoa de Deus (Mc 11.22); não é fé no homem – "Maldito o homem que confia no homem." – isso é confiar em si mesmo. (Jr 17.5); não é fé que funciona independentemente da vontade de Deus – "E esta é a confiança que temos para com ele: que se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade ele nos ouve." 1 Jo 5.14.
Conclusão – Um confronto entre verdade e erro.
Os autores dos livros examinados dão várias fórmulas para se quebrar a maldição hereditária de famílias. Essas fórmulas contém coisas bíblicas, outras anti-bíblicas, e ainda outras inventadas simplesmente por incredulidade dos autores, que gostam de andar pela vista e não pela fé.
É verdade – Que o pecado gera maldição [castigo] na vida do sujeito autor desse pecado. "a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor[pecado], vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno..." "Aquilo que o homem semear ele ceifará." (Gal. 6:7,8)
Exemplos de pecados específicos causadores de maldição ou castigo divino ao pecador: Gostar de amaldiçoar, praguejar, e desejar mal aos outros (Sl 109.17; Rm 12.14); idolatria (Dt 27.14,15); Feitiçaria (Dt 18.10-14); Rebeldia contra os pais (Dt 27.16); Mudar os marcos da terra (Dt 27.17); Crueldade com deficientes (Dt 27.18); Imoralidade Sexual (Dt 27.20-23) etc...
É mentira – Que a maldição de outra pessoa, conseqüência dos seus pecados, seja transmitida como herança a seus familiares; cada um dará conta do seu pecado."Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus." Rm 14.12
É verdade – Que as conseqüências do pecado de alguém afetam indiretamente seus familiares e conhecidos, pois ninguém peca para si só. As conseqüências atingem a todos. "No seu caminho há destruição e miséria." Rm 3.16.
É mentira - Que os problemas (espirituais, psicológicos e de saúde) dos filhos são conseqüência de maldição herdada dos pais. Por exemplo: a sífilis em uma criança pequena é resultado da maldição ou castigo da prostituição do pai, porém, não é a maldição em si mesma, mas sim é resultado da maldição dos pais. E neste caso a sífilis da criança não é uma maldição a ser quebrada, mas uma doença a ser curada. "A alma que pecar essa morrerá." - e não outra que não pecou. (Ez 18.4)
É verdade – Que as palavras humanas podem se tornar muito destrutivas. Joseph W. Stowell resume bem o poder destrutivo das palavras: "as palavras podem ser destrutivas em três aspectos. Elas podem destruir (1) nosso relacionamento com Deus, (2) nosso relacionamento com aqueles que amamos e até (3) nosso relacionamento conosco mesmo." Depois acrescenta: "Ter uma língua é como Ter dinamite entre os dentes: é preciso pensar nisso." [O Controle da Língua – Pg.14 – Editora Batista Regular].
Tiago nos adverte: "a língua é fogo; é mundo de iniqüidade... contamina o corpo inteiro... põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno." Tg 3.6. Não que elas tenham um poder místico nelas próprias para destruir, mas que podem promover destruição pelos efeitos causados pela reação negativa e anti-bíblica de pessoas muito sensíveis.
Minha esposa (Carmita) diz algo muito sábio acerca de agressões verbais. Ela diz: "quem é dono de sua boca diz o que quer; eu sou dona dos meus ouvidos e escuto o que quero." Em resumo, as palavras humanas de maldição só terão poder em quem vier a escutá-las com temor, e venham a se deixar impressionar psicologicamente pelas mesmas. Vejamos Eclesiastes 7.21,22 – "Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas ouvir o teu servo amaldiçoar-te, pois tu sabes que muitas vezes tu tens amaldiçoado a outros."
Charles Spurgeon também aconselhava as pessoas a terem um ouvido surdo, e dizia: "Não dês o coração a todas as palavras ditas – não as leve ao coração ou não lhes dê importância, não atentes para elas, nem procedas como se as tivesse ouvido. Você não pode deter a língua das pessoas; portanto, a melhor coisa é deter os seus próprios ouvidos, e não ligar para o que digam. (Lições aos meus alunos – Pg. 174 – Publicações Evangélicas Selecionadas)
Outra mentira é dizer que as palavras de maldição têm poder em si mesmas. As palavras dos amaldiçoadores são como eles próprios: "vento" (ocas, vazias ou sem poder em si mesmas), porém voltarão para eles como um bumerangue, pois quem deseja o mal aos outros está desejando para si mesmo. – "Até os profetas não passam de vento, porque a palavra [de Deus] não está com eles; as suas ameaças [maldições] se cumprirão contra eles mesmos." Jr 5.13.
Ainda as palavras e as maldições dos prognosticadores ou profetas que não são inspirados por Deus são consideradas como PALHA – sem nenhum valor, ou possibilidade de se cumprir – Jr 23.28-31.
Aqueles que amaldiçoam o seu próximo estão ignorantemente se colocando em curso de colisão com a própria maldição que proferem, não porque as suas palavras tenham poder em si mesmas, mas porque Deus os fará colher a maldição que está plantando para outros. – "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois tudo aquilo que o homem semear também ceifará." "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam assim fazei-o vós a eles." (Gl 6.7; Mt 7.12).
Ainda é mentira dizer que o homem tem a prerrogativa de autorizar o diabo a cumprir maldição de suas palavras na vida de outros.
Aqui há uma inversão conceitual, pois conforme a Bíblia é a humanidade que "jaz no maligno" e não "o maligno jaz na humanidade". O mínimo que um homem pode fazer é "dar lugar ao diabo" em sua própria vida, ou seja, fazer ou dizer coisas que darão progressivo controle de Satanás sobre sua vida. Porém, a Bíblia nunca diz que podemos autorizar o diabo a executar maldições na vida de outros. (1 Jo 5.19; Ef 4.27).
Essa definição veio da feitiçaria e da bruxaria. Na feitiçaria lançar feitiço eqüivale a lançar malefício ou maldição de feiticeiro.
De fato, não há real base bíblica e teológica para as definições e práticas da maldição hereditária. Quando Jorge Linhares, Marilyn Hickey e outros defensores dessa heresia usam versículos da Bíblia, usam textos que falam do poder das palavras, e de maldições, mas tirando-os do contexto, manipulando-os e adulterando o sentido da Palavra de Deus, e, para apoiar a sua doutrina insustentável biblicamente, usam um grande número de supostos testemunhos, com interpretações subjetivas e falaciosas. O fato é que os textos usados por eles não dá respaldo à teoria humanista e mística da maldição hereditária da família defendida por eles e por muitos outros.

Extraído do Jornal Fundamentalista
Publicação da União Bíblica Fundamentalista – UBF
Caixa Postal 567 – CEP: 60001-970 – Fortaleza – CE
 

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27 de outubro de 2013

O que é Propiciação e Propiciatório?

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 A palavra propiciação ( no grego hilasmos = aquilo que propicia, ou ainda sacrifício propiciatório = favorável a nós; no hebraico Kipper = juntar as partes opostas) descreve um aspecto importantíssimo acerca de nossa salvação. Essa palavra vem abordar o problema do pecado em relação a Deus. Literalmente essa palavra trás a ideia de acalmar a ira de Deus, já que sua ira é revelada dos céus contra toda impiedade. (Rom 1.18)
Paulo se refere à obra salvadora de Jesus Cristo como uma obra de propiciação (Rm 3.25). João também diz que Cristo fez propiciação pelos nossos pecados (1Jo 2.2 e 4.10). A respeito da encarnação de Cristo, o escritor de Hebreus afirma: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo." (Hb 2.17). Diante disto precisamos saber o que significa fazer propiciação. Entender o que é propiciação é entender a natureza do que Deus fez por nós em Cristo.
Quando lemos João 3.16: ”Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pareça mas tenha vida eterna” e efetuamos a leitura de Romanos 3.25-26; “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”, afirmamos como Grudem  (2010, p.88): “Cristo veio para conquistar a nossa salvação por causa do amor fiel de Deus e sua justiça”.
Assim, afirmamos que Deus ofereceu seu Filho Jesus como propiciação, ou seja, um sacrifício que faz Deus olhar de maneira favorável à nós. Paulo afirma que isso ocorreu para demonstração da justiça de Deus (Rom 3.26), que quer dizer, Deus de alguma forma precisava punir os pecados anteriormente a Cristo vir a esse mundo, isso em função de sua justiça. Assim sendo, alguém teria que pagar esse preço e beber do cálice da ira de Deus, e essa pessoa foi Cristo Jesus.
 Propiciação e Propiciatório no Antigo Testamento um tipo de Cristo
 Para uma maior abrangência desse termo nos faz necessário retroagirmos a antiga aliança. No Antigo Testamento somente o sumo-sacerdote podia entrar no Santíssimo lugar uma vez ao ano, onde carregava o sangue do sacrifício para aspergir o propiciatório, após ter queimado incenso sobre ele. (Levíticos 16.1-15). Essa era a parte final daquele ritual sacerdotal que servia para restaurar a comunhão do homem com Deus. Bancroft escreve (2011, p.150):
O propiciatório era aspergido com sangue, no dia da expiação, simbolizando que a sentença justa da lei havia sido (tipicamente) imposta; pelo que o lugar que, doutro modo, seria o local de julgamento, podia cm justiça ser propiciatório.
O propiciatório, (Êxodo 25.17-27) era uma placa (tampa) de ouro puro usada para cobrir a Arca, encimada por dois querubins um em frente do outro, com suas asas estendidas. Dentro da Arca estavam as tabuas da Lei que acusavam os homens de seres pecadores. Os querubins representavam a presença do Senhor e são seus instrumentos escolhidos de juízo, para qualquer presença pecadora.
O propiciatório protegeu o homem do juízo de Deus por causa do sangue que era aspergido sob ele. O próprio Deus ordenara que um animal fosse oferecido como sacrifício, e ao ver aquele sangue derramado, Ele não manifestava sua ira face ao pecado da nação, ou seja, tal ira era aplacada e desviada sob aquele animal morto entregue como sacrifício. Esse ritual fazia parte de uma cerimonia em Israel, mediante seu arrependimento solene buscava o perdão de Deus e a sua misericórdia pelos pecados cometidos no ano anterior.  
No hebraico do Velho Testamento a palavra propiciação significa "cobrir" (Lv 4.35 - o termo "fazer propiciação" é literalmente "cobrir"). A ideia é de que o pecado ou a pessoa que pecou é coberta diante de Deus. Como diz Habacuque, o Senhor Deus é tão puro de olhos que não pode ver o mal (Hb 1.13) e ficar impassível. Por causa da natureza santa e justa de Deus, o pecado provoca nele uma reação de desprazer, de ira, de indignação e de punição. Por isso a cobertura ou propiciação é provisão de Deus que visa "cobrir o pecado dos seus próprios olhos", desviando, assim, a sua santa ira e seu desprazer.
Desta forma podemos afirmar que o propiciatório do Antigo Testamento é um Tipo de Cristo conforme afirma Bancroft (2011, p.150):
Em cumprimento a esse tipo (lugar propiciatório), Cristo mesmo é o hilasmos, ou seja, aquilo que propicia e também o hilasterion, isto é o lugar da propiciação – o propiciatório aspergido com Seu próprio sangue – sinal de que, em nossos lugar, Ele honrou de tal modo a lei, ao receber contra Si a justa sentença da lei, que Deus, que sempre previu a cruz, foi vindicado por não haver levado em conta os pecados cometidos desde Adão até Moisés bem como os pecados dos crentes que viveram no tempo do antigo pacto, e agora foi vindicado por mostrar-se justo ao declarar justos os pecadores crentes que vivem sob a nova aliança.
 A necessidade da propiciação em Cristo Jesus
 O pecado tem um preço e o seu preço é a morte (Ez 18.20 e Rm 6.23). O pecado é tão sério aos olhos de Deus que exige a morte do pecador. A única maneira de se aniquilar o peso do pecado é com a morte. Por isso Deus instituiu o sacrifício no culto do Antigo Testamento para ensinar este aspecto. É a morte, através do derramamento do sangue, que faz a propiciação e expiação dos nossos pecados.
Podemos assim afirmar que propiciar é colocar-se a favor de alguém. O homem que estava contra Deus, sendo guiado por si mesmo e seus pecados, e, portanto o juízo de Deus estava contra ele, de maneira que algo deveria ser feito para que Deus pudesse estar a favor do homem e não irado contra ele.
Desde a queda, tornamo-nos pecadores separados de Deus e sujeitos à morte (Rm. 3.23; 6.23). A Bíblia apresenta a ira de Deus contra o pecado dos homens, comprovando assim a necessidade de uma propiciação (Sl. 5.4-6;  Rm. 1.18; 2.5,8; Ef. 2.3; Cl. 3.6), pois Deus não inocentará o culpado (Ex. 34.7; Nm. 14.18).
Jesus é a nossa propiciação. Para defender-nos diante do tribunal de Deus era necessário que a lei violada por nós fosse cumprida e que a justiça de Deus ofendida por nós fosse satisfeita. Ele tomou sobre si os nossos pecados, sofrendo o duro golpe da lei em nosso lugar, levando sobre si a nossa culpa, bebendo sozinho o cálice da ira de Deus contra todo pecado. Pelo seu sacrifício, nossos pecados foram cancelados. Agora estamos quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus. Somos justificados, onde Cristo Jesus é a nossa propiciação pelos nossos pecados.
O Senhor Jesus tinha consciência plena do objetivo de sua encarnação e previu que sua morte seria expiatória e substitutiva (Mt. 20.28; Mc. 10.45; Jo. 10.11,17,18). João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29), identificando-o com o cordeiro dos sacrifícios do Antigo Testamento e com a profecia de Isaías 53.7.
Os sacrifícios de animais, como vimos, aplacavam a ira de Deus momentaneamente. Por isso foi necessário a vinda de Jesus para morrer por nós e ser a nossa propiciação diante de Deus. Como está escrito: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito” (1 Pe 3.18).
Jesus Cristo foi a propiciação pelos nossos pecados de uma vez só, sendo um sacrifício perfeito e único. Não foi o sangue de um animal, mas o sangue e Cristo aspergido por nós que tem efeito para sempre.
 Conclusão
 A propiciação é uma dos pontos primordiais do evangelho, com a qual destaca os atributos de Deus: santidade, justiça e amor, evidentes em sua sua obra salvadora.
 Bibliografia
 BANCROFT, E.H – Teologia Elementar. São Paulo: EBR, 2011.
 GRUDEM, W. A – Entenda a fé crista: um guia prático e acessível com 20 questões que todo cristão precisa conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2010.
LOPES, H.D – Como ter garantia da salvação? São Paulo: Hagnos, 2010.

Autor: Pr Elder S Cunha

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29 de outubro de 2012

O Jejum na Bíblia

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Caros leitores,
Tendo observado as mais variadas esquizitices e práticas nada biblicas, quanto a questão do Jejum, resolvi postar esse artigo.

De fato, há de se concordar que o Jejum caiu em descrédito e desuso de uma forma geral. Quanto aos adeptos, infelizmente, grande parte se baseam em textos nada biblicos;  forçam a prática de tal disciplina; e visam, exclusivamente, alcançar  a resolução de um problema, de uma crise, de uma vitória,  de revestimento de poder, etc... Valem-se todas as maneiras  para alcançar o resultado, não importando os meios. (pragmatismo e neognosticismo)

Vamos nos atentar, em primeiro, lugar que nas Escrituras o jejum sempre se refere à abstenção de comida por motivos espirituais. É distindo de greve de fome e distinto da dieta por motivo de saúde.  O jejum na Bíblia, SEMPRE, tem no centro algum propósito espiritual.

Na Bíblia, nossa única regra de fé e prática, a maneira normal de jejuar é abster-se de todo o tipo de comida por 24 horas, sólida ou líquida, mas não de água. No jejum de 40 dias que Jesus fez, Ele nada comeu de comida, mas bebeu água (Lc 4.2). Do ponto de vista físico, é isso que em geral constitui o jejum.

A Bíblia, também descreve, as vezes, o jejum parcial, ou seja, a dieta é restrita, mas a abstenção não é completa. Em Daniel, houve um período de 3 semanas no qual ele declara: "Não comi nada saboroso: carne e vinho nem provei e não usei nenhuma essência aromática (Dn 10.3). Não sabemos a causa desse jejum.

Há outros exemplos na Bíblia de jejum, temos o jejum absoluto, ou seja, total abstenção de comida e água. Parece ser uma medida DESESPERADA para sanar uma emergência. Exemplo: o Jejum de ESTER (Ester 4.16); PAULO  (Atos 9.9). Vale lembrar que o corpo humano não aguanta ficar, sem água, muito mais que 03 dias.

Na maioria das vezes o jejum é particular (ocorre entre indivíduo e DEUS), mas há jejuns comunitários (Lv.23.27; Joel 2.15,16; 2 Cro 20.1-4). Esse jejum (coletivo) pode ser uma experiência maravilhosa e poderosa, desde que TODOS estejam preparados e tenham o mesmo pensamento nessa questão. É possível, por meio da oração e do jejum feitos por um grupo, resolver grandes problemas na igreja ou em outros grupos, além de restabelecer relacionamentos.

Jejum não é um mandamento, porém Jesus ensina que o jejum está imerso no contexto do ensino sobre doações e oração. OU seja, orar, ser generoso e jejuar fazem parte da devoção cristã. Assim, não teriamos como excluir o jejum dos ensinamentos de Jesus.

Jesus, também, afirma: "Quando jejuarem.." (mt 6.16). Ele parece pressupor que seus seguidores jejujem, por isso os instrui a faze-lo corretamente.
Martinho Lutero afirma: "Cristo não tinha a intenção de rejeitar nem de desprezar o jejum, sua intenção era restaurar o jejum correto"

As palavras de Jesus não constitui uma ordem, Ele instrui seus discipulos sobre a maneira apropriada de levar a efeito uma prática comum em seus dias. Jesus não espera que seus seguidores jejuem, mas Jesus entende que essa prática dev ser comum entre seus seguidores.

Eu acredito e tenho pregado que estamos vivendo e nos acostumamos  com uma GRAÇA BARATA, ou seja,  GRAÇA sem discipulado, sem discplinas espirituais.
O propósito do jejum não é para uso próprio, ou seja, conseguir que DEUS FAÇA aquilo que desejamos. O jejum não foca as bençãos, e tão pouco faz que DEUS venha comer em nossas mãos;  ou que  se sinta obrigado a nos prestar favor. Não é isso! O jejum deve possuir como centro DEUS.  veja ANA adorava jejuando (Lc 2.37). O jejum precisa começar em DEus, ser ordenado por DEUS e terminar em Deus.
Se o jejum não for para DEUS, PRIMEIRAMENTE, então fracassamos (Zc 7.5). Beneficios fisicos, sucesso, revestimento de poder, percepções espirituais - essas coisas jamais devem tomar o lugar de DEUS como o centro de nosso jejum. O jejuar deve ser feito para o SENHOR com os olhos fixos NELE - Glorificar o PAI.

Assim que o propósito principal do jejum estiver estabelecido no coração, ficamos livres para compreender que também há outros propósitos. Mais que qualquer outra disciplina, o jejum REVELA AS COISAS que nos controlam. Esse é o beneficio do JEJUM. Acobertamos o que vai dentro de nós com comida e outras coisas boas, mas o jejum traz a tona o que há em nosso interior. Se o orgulho nos controla (Salmos 69.10); raiva, amargura, inveja, medo - tudo que é negativo será trazido a superficie durante o jejum correto.

O JEJUM NOS LEMBRA DE QUE SOMOS SUSTENTADOS POR TODA PALAVRA QUE PROCEDE DE DEUS. (MT 4.4). A comida não nos sustenta, DEUS nos sustenta. Em Cristo tudo subsiste (Col 1.17). O JEJUM É MAIS UM BANQUETE COM  A PALAVRA DE DEUS QUE A  ABSTINENCIA DE COMIDA. JEJUAR E BANQUETEAR-SE! Jesus disse:" A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou (João 4.32,34)"

O JEJUM ROMPE LIMITES NA ESFERA ESPIRITUAL . CURTA ESSE PERÍODO E SAIBA QUE JEJUAMOS PARA DEUS MUDAR NOSSO CARÁTER E NOS REVISTIR DO SEU CARÁTER, não jejuamos para mudar sentenças, coisas, situações...JEJUAMOS PARA DEUS NOS MUDAR! 

Por Elder Cunha
Bibliografia:
- Bíblia Sagrada; 
- FOSTER, R. Celebração da disciplina  - 2ª ed - São Paulo: Editora Vida, 2007.
 

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22 de julho de 2012

Dízimos e Ofertas: a Luz da Escritura

3 comentários

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7)"

 A Teologia da Prosperidade tem distorcido as práticas bíblicas do crente ofertar e dizimar para a Obra do Senhor, porém, temos a oportunidade de verificar à luz das Escrituras que a entrega dos dízimos e das ofertas é uma atitude de amor e gratidão a Deus. Não devemos fazer com tristeza ou por constrangimento, mas com alegria, pois tudo que possuímos não é nosso; foi o Pai Celeste que as confiou aos nossos cuidados. Tudo que temos pertence ao Senhor. Tudo vem dele - nosso trabalho, saúde, família. Temos de contribuir impulsionados pelo amor abnegado e desinteresseiro. Deus não está preocupado com a quantia que entregamos, mas com o nível de desprendimento, sacrifício e fé. Que sejamos mordomos fiéis do Senhor, sabendo que Ele é fiel para suprir todas as nossas necessidades. 

I. DÍZIMOS E OFERTAS NA BÍBLIA
 1. O Antigo Testamento. 
O termo hebraico ma’a sar (Strong 4643), significa ‘um décimo”; “um dízimo”; “décima parte” dízimo”. No contexto bíblico, o vocábulo hebraico re’sith, refere-se àquilo que é “o primeiro”, indica o mais elevado de alguma coisa, o melhor, o mais excelente, tal como as melhores partes das ofertas (1Sm 2.29). Por definição, Dízimo é a Décima parte; Ordenado pelo Senhor (Lv 27.30-32; Ml 3.10), com o propósito de sustentar os levitas (Nm 18.21) e sacerdotes (Nm 18.28), para ajudar nas refeições sagradas (Dt 14.22-27), e para socorrer os pobres, os órfãos e as viúvas (Dt 14.28,29).Encerra a lição de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5; Sl 24.1; Ag 2.8). Quando Israel deixou de entregar o Dízimo, isso foi uma demonstração de sua desobediência (Ml 3.8-10); de igual modo, ao retornarem com a praticar de apresentar os Dízimos, isso foi um sinal de reforma, como aconteceu nos dias de Ezequias (2Cr 31.55,6,12) e Neemias (Ne 10.37; 12.44). Além do dízimo, Deus fez registrar a propriedade das ofertas alçadas, ou seja, de contribuições esporádicas que fluíam dos corações de servos movidos pelo desejo de ir além, de sua contribuição dizimal, quer por mera gratidão, quer por uma causa específica, colocada por Deus perante eles, quer por uma necessidade extrema de auxílio, de caráter social (Êx 25-36). Esta perícope apresenta a construção do tabernáculo. A questão é: “Porque Deus não utilizou os dízimos de seu povo para esta necessidade”? A razão é que os dízimos deveriam ser aplicados ao sustento dos levitas, dos líderes religiosos, e serviriam à manutenção dos atos de adoração, não poderiam fazer face à necessidade específica, esporádica e extra-normal que agora era colocada por Deus perante seu povo. Deus os chamou, conseqüentemente, a contribuir com ofertas alçadas, extras (Êx 25.2). O vocábulo no original hebraico é t’rûmáh (Strong 8641), um presente oferecido em sacrifício ou como tributo; a idéia básica é de algo sendo levantado (alçado) e apresentado ao Senhor como uma dádiva especial, de forma voluntária. O fato que deve ficar patente é que as práticas do dízimo ou das ofertas não são instituídas a partir da lei mosaica,Moisés apenas sistematizou tais práticas (Gn 4.4; 14.20; 28.22; Nm 18.20-32).“[...] O dízimo pode ter começado no Antigo Testamento, mas seu espírito,verdade e prática, continuam válidos” (HAYFORD J. A Chave de Tudo. 1.ed., RJ: CPAD, 1994, pp.93-4). O dízimo é uma determinação procedente de Deus, que precedeu a lei cerimonial e judicial da nação de Israel (incorporando-se posteriormente a essas), sendo portanto válido para todas as épocas e situações. Como forma de subsidiar o comentário da lição, gostaria apenas de reforçar dois princípios neotestamentários sobre o dízimo que devem regular a nossa contribuição sistemática:

 2. o Novo Testamento ensina que nossa contribuição deve ser planejada
 “Cada um contribua segundo propôs no seu coração não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7). Nossa contribuição deve ser alvo de prévia meditação e entendimento nos indica, com muito mais força, que ele deve ser uma contribuição planejada, não aleatória, não dependente da emoção do momento. A melhor forma de planejar essa contribuição é a estabelecida nas Escrituras - dízimo, o reconhecimento de que tudo o que temos provêm e pertence a Deus. (2) Deus espera que a nossa contribuição seja proporcional aos nossos ganhos (1Co 16.2-3). Paulo está sistematizando a contribuição, orientando àquela igreja para que ela realizasse a coleta aos domingos (no primeiro dia da semana), que é quando os crentes primitivos se reuniam. Paulo enfatiza que temos que contribuir conforme Deus tem permitido que prosperemos. Temos ouvido muitas cousas impróprias acerca do Dízimo, muita argumentação falha que procura utilizar prescrições da lei cerimonial (cumprida em Cristo) ou da lei judicial de Israel (de caráter temporal, para aquela nação). Entretanto, temos, igualmente, muitos princípios válidos e exemplos sobre o dízimo, tanto no Velho como no Novo Testamento. Não é caso acusarmos o ‘não dizimista’ de ‘ladrão’ com base em Ml 3.8, haja vista esse texto fazer referência ao Templo-Estado. O Pr Caio Fabio escreve em seu livro " Sem Barganhas com Deus": O texto de Malaquias 3, sobre os dízimos, é o favorito da “igreja” nas questões de contribuições financeiras. O que não percebemos é que o N.T. não se utiliza dele como Lei da Graça quando se trata de dinheiro. O texto de Malaquias fala do Templo-Estado. A Igreja não é assim. Mas ao escolhermos, seletivamente, Malaquias como o Santo das Contribuições, sem o sabermos, estamos dizendo quatro coisas: 1) Nosso desejo de que a Igreja esteja para a sociedade assim como o Templo-Estado estava para a população de Israel; 2) Nossa seletividade arbitrária quanto a determinar o que, da Lei, nos é conveniente; 3) Nossa incapacidade de ver que Malaquias 3 tem sua atualização na Graça em II Co 8 e 9; 4)Nossa ênfase na idéia de que aquele que não contribui é ladrão, põe aqueles que “cobram” no papel de sacerdotes-fiscais dos negócios de Deus na Terra. Em Atos 5: 1-11, diz-se que dá quem deseja. Dar sem desejar ou dar mentindo gera morte,não vida. Ananias e Safira foram disciplinados pela Liberdade que nasce da verdade e não a fim de gerar medo legalista na Igreja. Eles morreram por terem traído a Graça de dar ou não dar, ser ou não. Eram livres para não dar, não para mentir ao Espírito Santo! Dar não os tornaria maiores. Não dar não os tornaria menores. Mentir a Deus os destruiria! [...] E mais, dízimos financeiros são despudoradamente “cobrados” como parte da continuidade da Graça sobre o homem-devedor, sendo que o mediador humano da benção é sempre o representante de Deus, daí sentirem-se donos do dinheiro — afinal, Deus só recebe sacrifícios que se convertam no milagre de fazer muito dinheiro encher os seus bolsos, seja pessoalmente, seja institucionalmente, seja empresarialmente!" (Caio Fabio, Sem Barganhas com Deus, p. 40,41). Nas epístolas, Paulo faz referência ao dízimo levítico para extrair dele o princípio de que o obreiro é digno do seu salário (1 Co 9.9-14; Lv 6.16,26; Dt 18.1). Se o apóstolo não reconhecesse a legitimidade da prática do dízimo, jamais teria usado esses textos do Antigo Testamento. Há uma concordância geral entre os eruditos de que o Novo Testamento nos ensina a dar substancialmente ao Senhor. Há também concordância de que ele é um Deus que se deleita em responder com graciosa provisão, especialmente para suprir necessidades especiais (Mt 6.25-34). 

II. A PRÁTICA DO DÍZIMO E DAS OFERTAS COMO FORMA DE ADORAÇÃO 
1. Reconhecimento da soberania e da bondade de Deus.
Um dos princípios básicos da prática do dízimo é o reconhecimento de que Deus é soberano sobre todas as coisas. Tudo vem dEle e é para Ele (Ag 2.8; Cl 1.17).Deus prometeu segurança ao povo de Israel (Dt 28.7), mas isto não descartava a possibilidade de a nação eleita passar por situações conflituosas. Não é o que estamos acostumados a ouvir em nossos púlpitos, o que se vê são as famosas frases de efeito do tipo: “Deus tem promessas para você”, “determine e receba o que Deus prometeu para a sua vida” ou “a promessa é sua, receba em nome de Jesus!”, sem que as pessoas muitas vezes conheçam realmente, à luz da Bíblia, o que as promessas realmente representam. Na idéia da ‘Formula da Fé’, estas frases são como “amuletos” que os crentes lançam mão, à hora que bem entenderem, a fim de suprir suas necessidades imediatas. Deus não está sujeito a nenhum outro domínio, sendo este um de seus atributos exclusivos. Assim, ele age soberanamente à luz do plano que traçou para o homem. Quanto aos propósitos, nada do que Deus faz tem a finalidade de produzir sensacionalismo ou fazer por fazer, mas cumpre objetivos coerentes com os seus desígnios soberanos. Em outras palavras, as promessas de Deus, quando aplicadas à nossa vida, só fazem sentido se tiverem em conta a soberania de Deus e o seu propósito em cada ato. Aliás, muitas são as adversidades daqueles que desejam viver piamente em Cristo (2Tm 3.12). Mas há promessas de proteção e segurança para o crente. É só confiar! Nós somos a propriedade particular de Deus (1Pe 2.9). Quando o crente devolve a Deus o seu dízimo, demonstra que reconhece o Senhor como a fonte de todas as coisas. À saudação de Melquisedeque: “Bendito seja o Deus Altíssimo!”, respondeu Abraão dando-lhe o dízimo (Gn 14.20). O princípio da devolução do dízimo demonstra que somos dependentes de Deus. É lamentável que alguns crentes ignorem esse fato e ajam como se as suas conquistas materiais fossem apenas mérito de seus esforços (Jz 7.2). Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) bem como as bênçãos materiais. Deus abençoa a todos sem distinção de raça, cor, credo, condição financeira, condição física ou educação. (Lc 9.23). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e enormes os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate e rejeitais os necessitados na porta. Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau. Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o DEUS dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.” (Am 5.12-14)  
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