4 de dezembro de 2013

Desmascarando maldições hereditárias II

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O alvo do nosso estudo será a falsa doutrina do Evangelho da Maldição, que é um dos produtos da confissão positiva Neo-Pentecostal, e que é também chamado de Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração.
  1. Conceitos Heréticos Sobre Maldição Hereditária
Definição de Maldição Hereditária: "A maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado... A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras. Prognósticos negativos são responsáveis por desvios sensíveis no curso da vida de muitas pessoas, levando-as a viver completamente fora dos propósitos de Deus... As pragas se cumprem." Jorge Linhares, em Bênção e Maldição, Pg. 16.
Resumindo – Essa teoria antibíblica tem a maldição como uma entidade em si mesma que precisa apenas que alguém desencadeie o processo inicial, que é um pecado cometido por uma pessoa num passado remoto ou recente; depois disso, passa a agir com total independência. Não Lega em conta a responsabilidade pessoal. Diz Marilyn Hikey, em seu livro Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária"...mas a maldição da sua terra não foi transmitida pelo pecado pessoal deles ou mesmo dos ancestrais, mas pelos habitantes anteriores (os índios sioux)."
A maldição, segundo a doutrina em questão, opera cegamente atingindo qualquer um ao seu alcance; vai se transmitindo indefinidamente através do tempo, até que um especialista em quebra de maldições a quebre; usa como meio receptor e transmissor um local, um objeto, uma pessoa, uma família, uma cidade, um país etc...; como uma energia maligna invisível, vai se espalhando [conforme os milhares de "testemunhos" baseados em experiências subjetivas e desmentidas pela Bíblia]. A maldição em certas circunstâncias parece operar por si mesma, como um mal invisível que tem personalidade própria e poder de se autodeterminar; já em outras circunstâncias parece ser uma energia maligna operacionalizada por demônios, que são chamados de "espíritos familiares". Essa maldição tem que ser quebrada pela intervenção humana num ritual que difere de especialista para especialista.
Os diferentes elementos do ritual herege da quebra de maldição:
  • Busca de palavras de conhecimento e de revelações extra-bíblicas para se descobrir a causa específica das maldições hereditárias. Na busca das causas da maldição, vale até entrevista com demônios. Marilyn Hickey conta: "Certa vez expulsamos um espírito mau de uma mulher. Perguntamos a ele: ‘Quando você entrou aí?’ Ele respondeu com alguma coisa jocosa. Então indagamos: ‘Por que você está aí?’ Ele respondeu: ‘Porque se eu a peguei, pego também o filho dela!’ Aquela mulher foi liberta!"

  • Declaração de que não se aceita os problemas porque são fruto de maldição;

  • Oração a Deus e Profissão de Fé ao Diabo. Marilyn Hickey narra um caso desses: "Amado Pai Celestial, Tu me amas! Tu enviaste Teu Filho para quebrar esta maldição... Tenho o Seu Nome... Nome que protege. Seu sangue me purifica de imediato. Estou liberto pelo sangue. No Nome de Jesus, amém. Agora, em voz alta, faça esta profissão de fé: ‘Satanás! Tu e os teus maus espíritos do alcoolismo ouviram a oração que acabo de fazer! Tiveste a tua chance, mas o teu poder está quebrado... Em Nome de Jesus, a tua maldição está quebrada... Por isso, diabo, afasta-te daqui e não tornes nunca mais!".

  • Exorcismo com palavras de ordem amaldiçoando a Satanás para amarrá-lo e livrar a geração por ele amaldiçoada. Marilyn Hickey diz: "O diabo é o valente. O que temos de fazer a ele? Amarrá-lo. E depois? Nós lhe tomamos a casa – ou aquela geração! Nós dizemos: Ei, diabo, espere um minuto! A minha geração não pertence a você porque eu o amarrei em Nome de Jesus, e você não vai fazer isso! É isso que fazemos: Rompemos a maldição em Nome de Jesus."

  • Aqui encontramos uma maneira simplista, mística, ilusória, e ineficiente de se enfrentar problemas causados por pecado. Essa é uma fantasiosa vitória sobre o pecado. A fórmula correta de vitória sobre o pecado é arrependimento contínuo que conduz a uma vida de piedade caracterizada por temor a Deus, desejo de Deus e amor a Deus, ou seja, um sincero e humilde cultivo da santidade na dependência do Espírito Santo e obediência da Bíblia.

  • Mudança no Conceito de Pecado: Pecado passa a ser mais uma coisa que herdamos de nossos ancestrais e portanto não somos culpados, do que uma coisa na qual somos responsáveis diretamente.

  • Arrependimento não bíblico: Depois de ser protagonizado e ensinado todo esse confuso e anti-bíblico ritual acima, Marilyn Hickey insatisfeita e insegura de sua metodologia acrescenta a única coisa que era necessária desde o início: "O que quebra a maldição é o arrependimento." – Bastaria o arrependimento, e nada das invenções seria necessário.
2. Heresias Específicas da Doutrina da Maldição Hereditária
a) Antropocentrismo e o Poder Onipotente das Palavras Humanas: Anulação da soberania divina e caos na terra.
  • O poder divino das palavras humanas - As palavras do Evangelho da Maldição têm poder em si mesmas: São comparadas às sementes, que tem dentro de si mesmas o poder para germinar. – "As palavras são como sementes que, caindo em solo próprio, achando as condições favoráveis, germinam, crescem, frutificam..." "Nossas palavras podem alimentar ou anular a ação de Satanás." "Convidei-a para orarmos juntos. Pedimos a Deus a solução dos conflitos emocionais e depois, de comum acordo, quebramos e anulamos a maldição das palavras de zombaria. Naquele momento, o Senhor a libertou." Jorge Linhares, Pgs. 16, 11, 12.

  • Incoerência – Pedem a Deus a solução do problema e depois como se fossem oniscientes e onipotentes decretam a solução desse mesmo problema.

  • Humanismo Mal Disfarçado: O homem é que coloca maldições mediante suas palavras de praga e outro homem, mediante palavras de oração a Deus e repreensão do diabo, quebra essas maldições. Deus entra apenas como ator coadjuvante, com um papel secundário e quase dispensável.

  • Um exemplo de Heresia: Mãe define o futuro da filha por dizer-lhe palavras impensadas – "Quando você se casar e tiver filhas não haverá paz em sua casa. Eles serão contenciosos e a discórdia será uma constante. Depois de algum tempo ela se casou. Vieram os filhos, e a maldição cumpriu-se plenamente. A casa virou um inferno... tivemos um tempo de aconselhamento e oração, e a maldição foi quebrada." Linhares, Pg. 15

  • Teoria Que Implica Caos do Universo – No caso das palavras duras da mãe em relação ao futuro da filha, se é verdade que o lar da moça se tornou um inferno por causa da maldição da mãe, isso seria terrível, pois isso implicaria que o destino das pessoas e do universo estariam no poder das palavras de pecadores inconseqüentes, falíveis e imprevisíveis. Isso geraria um caos e um descontrole total da vida na terra. Isso anularia a própria soberania de Deus no Universo. Isso tiraria o governo das mãos de Deus e o colocaria na boca dos homens. Isso é ridículo, antropocêntrico e anti-bíblico.
b) Deus Depende das Palavras Humanas Para Agir?
  • Um Deus dependente do homem – Este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – "Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar a opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão..." Linhares, Pg. 16, 18
  • Uma caricatura do Deus da Bíblia – Essa afirmativa deixa Deus dependente das palavras humanas para liberar seu poder. É quase como se Deus precisasse de autorização humana para agir. Esse não é o Deus da Bíblia, é, sim, uma grotesca caricatura do Deus da Bíblia. De fato, um Deus destronado pelo homem, que proclama as suas pretensões à divindade quando imagina que suas palavras podem fazer tudo acontecer.
  • Psicoterapia Freudiana Mistificada – ou Doutrina da Transferência de Culpa do Pecador para seus ancestrais. Consiste na transferência da culpa e da responsabilidade do comportamento pecaminoso pessoal de alguém para parentes, amigos, professores etc... que no passado disseram algo impensado.
  • Tentar ajudar alguém, aliviando a sua culpa por transferi-la para "maldições" herdadas da família é apenas uma variação maligna da técnica criada pelo ateu Sigmund Freud, que, em vez de usar "maldição", usa os termos "complexos" e "doença mental" para explicar comportamentos anormais e erros das pessoas, lançando a responsabilidade de seus pecados e crimes em seus parentes e professores de um passado distante..
  • O Evangelho da Maldição é um Processo Sutil de Transferência de Culpa – Seus mentores atribuem todos os pecados à maldição hereditária: "...comecei a perceber nos testemunhos de prostitutas, homossexuais, ladrões e assassinos, que quase sempre seu envolvimento nesses tipos de vida irregular fora precedido por palavras de maldição, proferidas principalmente pelos pais." Linhares Pg.29
Marilyn Hickey diz: "Essas coisas que nos perturbam e apoquentam são, realmente, maldições de famílias ou de gerações – problemas que começaram com os nossos ancestrais e vieram até nós. E o que é pior: eles não vão parar aqui; podem ser transmitidos aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos!"
O pecador que pela sua natureza decaída já gosta de arrumar desculpas para os seus pecados lançando ou transferindo a sua culpa para outros, encontra nesta teoria diabólica um meio fajuto de aliviar sua consciência por lançar sua própria culpa sobre os outros. Adão, após a queda, transferiu sua culpa para Eva, e Eva, para a serpente (Gn 3).
O tremendo mau que o ateu Freud fez através da psiquiatria no mundo secular os defensores da maldição hereditária de família estão fazendo no meio evangélico, criando um bando de gente irresponsável pelos seus próprios pecados.
  • O Evangelho da Maldição usa os ancestrais como bodes expiatórios das culpas presentes dos pecadores. Deus abomina essa inversão maligna: "O que justifica o perverso e o que condena o justo são abomináveis para o Senhor, tanto um quanto o outro." Pv 17.15. A seguir damos exemplos do que acabamos de falar:
Culpar os pais por comportamento homossexual – "depois de ser tanto amaldiçoado, acabei me envolvendo com homossexualismo". (Linhares, Pg. 13).
Confrontação invertida – Mais adiante no livro, Linhares confronta o pai de um jovem homossexual com as seguintes palavras: "...ele [o gay] é homossexual por sua culpa [do pai]... O senhor como pai o amaldiçoou desde pequeno, chamando-o de mulherzinha." Pg. 31.
Responsabilidade invertida – Na confrontação acima ainda diz para o pai: "Tudo pode mudar. Depende de você [se referindo ao pai]." (Pg. 31). O ridículo e anti-bíblico nessa confrontação invertida e absurda de pecados é que Linhares diz que a mudança da situação de homossexualismo do jovem gay depende do pai por quebrar a maldição proferida por ele, e não do rapaz em pecado.
Arrependimento, e não quebra de maldição – Em vez de ficar procurando um bode expiatório no passado para lançar a culpa do pecador, deve-se seguir o processo bíblico de levar o pecador a assumir pessoalmente toda a culpa por seu comportamento pecaminoso, iniciando assim um processo genuíno de arrependimento e restauração.
c) O pacto com o diabo à revelia do consentimento da pessoa. Essa doutrina coloca o diabo como centro de todos os problemas humanos. Podemos fazer um pacto com o diabo entregando outra pessoa a ele? Isso sem que aquele que fez o pacto e o que é entregue saber ou fazer isso conscientemente?
  • O caso de entrega de uma pessoa ao diabo motivada pela maldição da mãe. – A mãe disse para a filha: "Sua burra, preguiçosa, o diabo que te carregue."Em seguida Linhares diz: "Mesmo sem intenção, [essa mãe] entregara a filha ao diabo. (Livro "Benção e Maldição, Pg. 19).
O homem de Corinto é entregue a Satanás por causa de seus próprios pecados, e não porque alguém com raiva dele decidiu fazer isso (1 Co 5.1-5). A decisão de entrega espiritual de vida tem de ser algo individual e intransferível.
Essa pseudo-guerra contra o diabo é um espetáculo de supervalorização dele com desvalorização da soberania de Deus. Deus é o soberano absoluto do Universo, o sumo bem, e faz o que lhe apraz (Sal 135:6).
d) A Palavra de Deus versus as Palavras do Homem.
As palavras humanas têm poder em si mesmas para realizar aquilo que dizem? A resposta é não. As palavras que têm poder em si mesmas são as palavras de Deus, escritas na Bíblia.
Quanto poder têm as palavras humanas? Somente o poder que Deus queira lhes dar conforme o Seu propósito. A palavra humana que tem poder é aquela que é falada em nome de Deus, como no caso dos profetas bíblicos, ou dos pregadores da Palavra escrita na Bíblia.
"Assim veio a Palavra do Senhor por intermédio do profeta Jeú, filho de Hanani, contra Baasa e contra a sua descendência." 1 Re 16.7 - "disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade." 1 Re 17.24
A palavra que não volta vazia sem cumprir o seu propósito é a palavra de Deus e não a palavra dos homens: "assim será a palavra que sair da minha boca: Não voltará para mim vazia mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei." Is 55.11.
O poder e efeito das palavras do homem são como a flor que murcha, mas a palavra de Deus é diferente: "seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente." Is 40.8. Portanto, não é a palavra dos homens que devemos temer, mas a Palavra de Deus.
Quanto poder tem a "Palavra de Fé" ou pronunciado com fé, conforme Marcos 11.21-24? – O que é de errado com a "confissão positiva"?
"Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou. Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz assim será com ele. Por isso, digo-vos que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco."
Os defensores da Confissão Positiva interpretam mal esse texto, como se Deus estivesse dando total soberania e poder irrestrito às palavras do homem (poder para conseguir qualquer coisa, bastando para isso pronunciar, declarar ou confessar o que se quer], e a chave dessa soberania seria a fé. Mas o que seria essa fé em Mc 11.21-24? É fé centralizada em Deus: "Tende fé em Deus." (v. 22); é fé que não carece de sinais visíveis (Jo 20.29; II Co 5.7).
O que essa fé não é: não é fé na fé – ou seja, como se a fé fosse algo em que se deva confiar. Não se deve confiar no poder da fé, mas na pessoa de Deus (Mc 11.22); não é fé no homem – "Maldito o homem que confia no homem." – isso é confiar em si mesmo. (Jr 17.5); não é fé que funciona independentemente da vontade de Deus – "E esta é a confiança que temos para com ele: que se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade ele nos ouve." 1 Jo 5.14.
Conclusão – Um confronto entre verdade e erro.
Os autores dos livros examinados dão várias fórmulas para se quebrar a maldição hereditária de famílias. Essas fórmulas contém coisas bíblicas, outras anti-bíblicas, e ainda outras inventadas simplesmente por incredulidade dos autores, que gostam de andar pela vista e não pela fé.
É verdade – Que o pecado gera maldição [castigo] na vida do sujeito autor desse pecado. "a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor[pecado], vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno..." "Aquilo que o homem semear ele ceifará." (Gal. 6:7,8)
Exemplos de pecados específicos causadores de maldição ou castigo divino ao pecador: Gostar de amaldiçoar, praguejar, e desejar mal aos outros (Sl 109.17; Rm 12.14); idolatria (Dt 27.14,15); Feitiçaria (Dt 18.10-14); Rebeldia contra os pais (Dt 27.16); Mudar os marcos da terra (Dt 27.17); Crueldade com deficientes (Dt 27.18); Imoralidade Sexual (Dt 27.20-23) etc...
É mentira – Que a maldição de outra pessoa, conseqüência dos seus pecados, seja transmitida como herança a seus familiares; cada um dará conta do seu pecado."Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus." Rm 14.12
É verdade – Que as conseqüências do pecado de alguém afetam indiretamente seus familiares e conhecidos, pois ninguém peca para si só. As conseqüências atingem a todos. "No seu caminho há destruição e miséria." Rm 3.16.
É mentira - Que os problemas (espirituais, psicológicos e de saúde) dos filhos são conseqüência de maldição herdada dos pais. Por exemplo: a sífilis em uma criança pequena é resultado da maldição ou castigo da prostituição do pai, porém, não é a maldição em si mesma, mas sim é resultado da maldição dos pais. E neste caso a sífilis da criança não é uma maldição a ser quebrada, mas uma doença a ser curada. "A alma que pecar essa morrerá." - e não outra que não pecou. (Ez 18.4)
É verdade – Que as palavras humanas podem se tornar muito destrutivas. Joseph W. Stowell resume bem o poder destrutivo das palavras: "as palavras podem ser destrutivas em três aspectos. Elas podem destruir (1) nosso relacionamento com Deus, (2) nosso relacionamento com aqueles que amamos e até (3) nosso relacionamento conosco mesmo." Depois acrescenta: "Ter uma língua é como Ter dinamite entre os dentes: é preciso pensar nisso." [O Controle da Língua – Pg.14 – Editora Batista Regular].
Tiago nos adverte: "a língua é fogo; é mundo de iniqüidade... contamina o corpo inteiro... põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno." Tg 3.6. Não que elas tenham um poder místico nelas próprias para destruir, mas que podem promover destruição pelos efeitos causados pela reação negativa e anti-bíblica de pessoas muito sensíveis.
Minha esposa (Carmita) diz algo muito sábio acerca de agressões verbais. Ela diz: "quem é dono de sua boca diz o que quer; eu sou dona dos meus ouvidos e escuto o que quero." Em resumo, as palavras humanas de maldição só terão poder em quem vier a escutá-las com temor, e venham a se deixar impressionar psicologicamente pelas mesmas. Vejamos Eclesiastes 7.21,22 – "Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas ouvir o teu servo amaldiçoar-te, pois tu sabes que muitas vezes tu tens amaldiçoado a outros."
Charles Spurgeon também aconselhava as pessoas a terem um ouvido surdo, e dizia: "Não dês o coração a todas as palavras ditas – não as leve ao coração ou não lhes dê importância, não atentes para elas, nem procedas como se as tivesse ouvido. Você não pode deter a língua das pessoas; portanto, a melhor coisa é deter os seus próprios ouvidos, e não ligar para o que digam. (Lições aos meus alunos – Pg. 174 – Publicações Evangélicas Selecionadas)
Outra mentira é dizer que as palavras de maldição têm poder em si mesmas. As palavras dos amaldiçoadores são como eles próprios: "vento" (ocas, vazias ou sem poder em si mesmas), porém voltarão para eles como um bumerangue, pois quem deseja o mal aos outros está desejando para si mesmo. – "Até os profetas não passam de vento, porque a palavra [de Deus] não está com eles; as suas ameaças [maldições] se cumprirão contra eles mesmos." Jr 5.13.
Ainda as palavras e as maldições dos prognosticadores ou profetas que não são inspirados por Deus são consideradas como PALHA – sem nenhum valor, ou possibilidade de se cumprir – Jr 23.28-31.
Aqueles que amaldiçoam o seu próximo estão ignorantemente se colocando em curso de colisão com a própria maldição que proferem, não porque as suas palavras tenham poder em si mesmas, mas porque Deus os fará colher a maldição que está plantando para outros. – "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois tudo aquilo que o homem semear também ceifará." "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam assim fazei-o vós a eles." (Gl 6.7; Mt 7.12).
Ainda é mentira dizer que o homem tem a prerrogativa de autorizar o diabo a cumprir maldição de suas palavras na vida de outros.
Aqui há uma inversão conceitual, pois conforme a Bíblia é a humanidade que "jaz no maligno" e não "o maligno jaz na humanidade". O mínimo que um homem pode fazer é "dar lugar ao diabo" em sua própria vida, ou seja, fazer ou dizer coisas que darão progressivo controle de Satanás sobre sua vida. Porém, a Bíblia nunca diz que podemos autorizar o diabo a executar maldições na vida de outros. (1 Jo 5.19; Ef 4.27).
Essa definição veio da feitiçaria e da bruxaria. Na feitiçaria lançar feitiço eqüivale a lançar malefício ou maldição de feiticeiro.
De fato, não há real base bíblica e teológica para as definições e práticas da maldição hereditária. Quando Jorge Linhares, Marilyn Hickey e outros defensores dessa heresia usam versículos da Bíblia, usam textos que falam do poder das palavras, e de maldições, mas tirando-os do contexto, manipulando-os e adulterando o sentido da Palavra de Deus, e, para apoiar a sua doutrina insustentável biblicamente, usam um grande número de supostos testemunhos, com interpretações subjetivas e falaciosas. O fato é que os textos usados por eles não dá respaldo à teoria humanista e mística da maldição hereditária da família defendida por eles e por muitos outros.

Extraído do Jornal Fundamentalista
Publicação da União Bíblica Fundamentalista – UBF
Caixa Postal 567 – CEP: 60001-970 – Fortaleza – CE
 

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27 de outubro de 2013

O que é Propiciação e Propiciatório?

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 A palavra propiciação ( no grego hilasmos = aquilo que propicia, ou ainda sacrifício propiciatório = favorável a nós; no hebraico Kipper = juntar as partes opostas) descreve um aspecto importantíssimo acerca de nossa salvação. Essa palavra vem abordar o problema do pecado em relação a Deus. Literalmente essa palavra trás a ideia de acalmar a ira de Deus, já que sua ira é revelada dos céus contra toda impiedade. (Rom 1.18)
Paulo se refere à obra salvadora de Jesus Cristo como uma obra de propiciação (Rm 3.25). João também diz que Cristo fez propiciação pelos nossos pecados (1Jo 2.2 e 4.10). A respeito da encarnação de Cristo, o escritor de Hebreus afirma: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo." (Hb 2.17). Diante disto precisamos saber o que significa fazer propiciação. Entender o que é propiciação é entender a natureza do que Deus fez por nós em Cristo.
Quando lemos João 3.16: ”Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pareça mas tenha vida eterna” e efetuamos a leitura de Romanos 3.25-26; “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”, afirmamos como Grudem  (2010, p.88): “Cristo veio para conquistar a nossa salvação por causa do amor fiel de Deus e sua justiça”.
Assim, afirmamos que Deus ofereceu seu Filho Jesus como propiciação, ou seja, um sacrifício que faz Deus olhar de maneira favorável à nós. Paulo afirma que isso ocorreu para demonstração da justiça de Deus (Rom 3.26), que quer dizer, Deus de alguma forma precisava punir os pecados anteriormente a Cristo vir a esse mundo, isso em função de sua justiça. Assim sendo, alguém teria que pagar esse preço e beber do cálice da ira de Deus, e essa pessoa foi Cristo Jesus.
 Propiciação e Propiciatório no Antigo Testamento um tipo de Cristo
 Para uma maior abrangência desse termo nos faz necessário retroagirmos a antiga aliança. No Antigo Testamento somente o sumo-sacerdote podia entrar no Santíssimo lugar uma vez ao ano, onde carregava o sangue do sacrifício para aspergir o propiciatório, após ter queimado incenso sobre ele. (Levíticos 16.1-15). Essa era a parte final daquele ritual sacerdotal que servia para restaurar a comunhão do homem com Deus. Bancroft escreve (2011, p.150):
O propiciatório era aspergido com sangue, no dia da expiação, simbolizando que a sentença justa da lei havia sido (tipicamente) imposta; pelo que o lugar que, doutro modo, seria o local de julgamento, podia cm justiça ser propiciatório.
O propiciatório, (Êxodo 25.17-27) era uma placa (tampa) de ouro puro usada para cobrir a Arca, encimada por dois querubins um em frente do outro, com suas asas estendidas. Dentro da Arca estavam as tabuas da Lei que acusavam os homens de seres pecadores. Os querubins representavam a presença do Senhor e são seus instrumentos escolhidos de juízo, para qualquer presença pecadora.
O propiciatório protegeu o homem do juízo de Deus por causa do sangue que era aspergido sob ele. O próprio Deus ordenara que um animal fosse oferecido como sacrifício, e ao ver aquele sangue derramado, Ele não manifestava sua ira face ao pecado da nação, ou seja, tal ira era aplacada e desviada sob aquele animal morto entregue como sacrifício. Esse ritual fazia parte de uma cerimonia em Israel, mediante seu arrependimento solene buscava o perdão de Deus e a sua misericórdia pelos pecados cometidos no ano anterior.  
No hebraico do Velho Testamento a palavra propiciação significa "cobrir" (Lv 4.35 - o termo "fazer propiciação" é literalmente "cobrir"). A ideia é de que o pecado ou a pessoa que pecou é coberta diante de Deus. Como diz Habacuque, o Senhor Deus é tão puro de olhos que não pode ver o mal (Hb 1.13) e ficar impassível. Por causa da natureza santa e justa de Deus, o pecado provoca nele uma reação de desprazer, de ira, de indignação e de punição. Por isso a cobertura ou propiciação é provisão de Deus que visa "cobrir o pecado dos seus próprios olhos", desviando, assim, a sua santa ira e seu desprazer.
Desta forma podemos afirmar que o propiciatório do Antigo Testamento é um Tipo de Cristo conforme afirma Bancroft (2011, p.150):
Em cumprimento a esse tipo (lugar propiciatório), Cristo mesmo é o hilasmos, ou seja, aquilo que propicia e também o hilasterion, isto é o lugar da propiciação – o propiciatório aspergido com Seu próprio sangue – sinal de que, em nossos lugar, Ele honrou de tal modo a lei, ao receber contra Si a justa sentença da lei, que Deus, que sempre previu a cruz, foi vindicado por não haver levado em conta os pecados cometidos desde Adão até Moisés bem como os pecados dos crentes que viveram no tempo do antigo pacto, e agora foi vindicado por mostrar-se justo ao declarar justos os pecadores crentes que vivem sob a nova aliança.
 A necessidade da propiciação em Cristo Jesus
 O pecado tem um preço e o seu preço é a morte (Ez 18.20 e Rm 6.23). O pecado é tão sério aos olhos de Deus que exige a morte do pecador. A única maneira de se aniquilar o peso do pecado é com a morte. Por isso Deus instituiu o sacrifício no culto do Antigo Testamento para ensinar este aspecto. É a morte, através do derramamento do sangue, que faz a propiciação e expiação dos nossos pecados.
Podemos assim afirmar que propiciar é colocar-se a favor de alguém. O homem que estava contra Deus, sendo guiado por si mesmo e seus pecados, e, portanto o juízo de Deus estava contra ele, de maneira que algo deveria ser feito para que Deus pudesse estar a favor do homem e não irado contra ele.
Desde a queda, tornamo-nos pecadores separados de Deus e sujeitos à morte (Rm. 3.23; 6.23). A Bíblia apresenta a ira de Deus contra o pecado dos homens, comprovando assim a necessidade de uma propiciação (Sl. 5.4-6;  Rm. 1.18; 2.5,8; Ef. 2.3; Cl. 3.6), pois Deus não inocentará o culpado (Ex. 34.7; Nm. 14.18).
Jesus é a nossa propiciação. Para defender-nos diante do tribunal de Deus era necessário que a lei violada por nós fosse cumprida e que a justiça de Deus ofendida por nós fosse satisfeita. Ele tomou sobre si os nossos pecados, sofrendo o duro golpe da lei em nosso lugar, levando sobre si a nossa culpa, bebendo sozinho o cálice da ira de Deus contra todo pecado. Pelo seu sacrifício, nossos pecados foram cancelados. Agora estamos quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus. Somos justificados, onde Cristo Jesus é a nossa propiciação pelos nossos pecados.
O Senhor Jesus tinha consciência plena do objetivo de sua encarnação e previu que sua morte seria expiatória e substitutiva (Mt. 20.28; Mc. 10.45; Jo. 10.11,17,18). João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29), identificando-o com o cordeiro dos sacrifícios do Antigo Testamento e com a profecia de Isaías 53.7.
Os sacrifícios de animais, como vimos, aplacavam a ira de Deus momentaneamente. Por isso foi necessário a vinda de Jesus para morrer por nós e ser a nossa propiciação diante de Deus. Como está escrito: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito” (1 Pe 3.18).
Jesus Cristo foi a propiciação pelos nossos pecados de uma vez só, sendo um sacrifício perfeito e único. Não foi o sangue de um animal, mas o sangue e Cristo aspergido por nós que tem efeito para sempre.
 Conclusão
 A propiciação é uma dos pontos primordiais do evangelho, com a qual destaca os atributos de Deus: santidade, justiça e amor, evidentes em sua sua obra salvadora.
 Bibliografia
 BANCROFT, E.H – Teologia Elementar. São Paulo: EBR, 2011.
 GRUDEM, W. A – Entenda a fé crista: um guia prático e acessível com 20 questões que todo cristão precisa conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2010.
LOPES, H.D – Como ter garantia da salvação? São Paulo: Hagnos, 2010.

Autor: Pr Elder S Cunha

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29 de outubro de 2012

O Jejum na Bíblia

3 comentários

Caros leitores,
Tendo observado as mais variadas esquizitices e práticas nada biblicas, quanto a questão do Jejum, resolvi postar esse artigo.

De fato, há de se concordar que o Jejum caiu em descrédito e desuso de uma forma geral. Quanto aos adeptos, infelizmente, grande parte se baseam em textos nada biblicos;  forçam a prática de tal disciplina; e visam, exclusivamente, alcançar  a resolução de um problema, de uma crise, de uma vitória,  de revestimento de poder, etc... Valem-se todas as maneiras  para alcançar o resultado, não importando os meios. (pragmatismo e neognosticismo)

Vamos nos atentar, em primeiro, lugar que nas Escrituras o jejum sempre se refere à abstenção de comida por motivos espirituais. É distindo de greve de fome e distinto da dieta por motivo de saúde.  O jejum na Bíblia, SEMPRE, tem no centro algum propósito espiritual.

Na Bíblia, nossa única regra de fé e prática, a maneira normal de jejuar é abster-se de todo o tipo de comida por 24 horas, sólida ou líquida, mas não de água. No jejum de 40 dias que Jesus fez, Ele nada comeu de comida, mas bebeu água (Lc 4.2). Do ponto de vista físico, é isso que em geral constitui o jejum.

A Bíblia, também descreve, as vezes, o jejum parcial, ou seja, a dieta é restrita, mas a abstenção não é completa. Em Daniel, houve um período de 3 semanas no qual ele declara: "Não comi nada saboroso: carne e vinho nem provei e não usei nenhuma essência aromática (Dn 10.3). Não sabemos a causa desse jejum.

Há outros exemplos na Bíblia de jejum, temos o jejum absoluto, ou seja, total abstenção de comida e água. Parece ser uma medida DESESPERADA para sanar uma emergência. Exemplo: o Jejum de ESTER (Ester 4.16); PAULO  (Atos 9.9). Vale lembrar que o corpo humano não aguanta ficar, sem água, muito mais que 03 dias.

Na maioria das vezes o jejum é particular (ocorre entre indivíduo e DEUS), mas há jejuns comunitários (Lv.23.27; Joel 2.15,16; 2 Cro 20.1-4). Esse jejum (coletivo) pode ser uma experiência maravilhosa e poderosa, desde que TODOS estejam preparados e tenham o mesmo pensamento nessa questão. É possível, por meio da oração e do jejum feitos por um grupo, resolver grandes problemas na igreja ou em outros grupos, além de restabelecer relacionamentos.

Jejum não é um mandamento, porém Jesus ensina que o jejum está imerso no contexto do ensino sobre doações e oração. OU seja, orar, ser generoso e jejuar fazem parte da devoção cristã. Assim, não teriamos como excluir o jejum dos ensinamentos de Jesus.

Jesus, também, afirma: "Quando jejuarem.." (mt 6.16). Ele parece pressupor que seus seguidores jejujem, por isso os instrui a faze-lo corretamente.
Martinho Lutero afirma: "Cristo não tinha a intenção de rejeitar nem de desprezar o jejum, sua intenção era restaurar o jejum correto"

As palavras de Jesus não constitui uma ordem, Ele instrui seus discipulos sobre a maneira apropriada de levar a efeito uma prática comum em seus dias. Jesus não espera que seus seguidores jejuem, mas Jesus entende que essa prática dev ser comum entre seus seguidores.

Eu acredito e tenho pregado que estamos vivendo e nos acostumamos  com uma GRAÇA BARATA, ou seja,  GRAÇA sem discipulado, sem discplinas espirituais.
O propósito do jejum não é para uso próprio, ou seja, conseguir que DEUS FAÇA aquilo que desejamos. O jejum não foca as bençãos, e tão pouco faz que DEUS venha comer em nossas mãos;  ou que  se sinta obrigado a nos prestar favor. Não é isso! O jejum deve possuir como centro DEUS.  veja ANA adorava jejuando (Lc 2.37). O jejum precisa começar em DEus, ser ordenado por DEUS e terminar em Deus.
Se o jejum não for para DEUS, PRIMEIRAMENTE, então fracassamos (Zc 7.5). Beneficios fisicos, sucesso, revestimento de poder, percepções espirituais - essas coisas jamais devem tomar o lugar de DEUS como o centro de nosso jejum. O jejuar deve ser feito para o SENHOR com os olhos fixos NELE - Glorificar o PAI.

Assim que o propósito principal do jejum estiver estabelecido no coração, ficamos livres para compreender que também há outros propósitos. Mais que qualquer outra disciplina, o jejum REVELA AS COISAS que nos controlam. Esse é o beneficio do JEJUM. Acobertamos o que vai dentro de nós com comida e outras coisas boas, mas o jejum traz a tona o que há em nosso interior. Se o orgulho nos controla (Salmos 69.10); raiva, amargura, inveja, medo - tudo que é negativo será trazido a superficie durante o jejum correto.

O JEJUM NOS LEMBRA DE QUE SOMOS SUSTENTADOS POR TODA PALAVRA QUE PROCEDE DE DEUS. (MT 4.4). A comida não nos sustenta, DEUS nos sustenta. Em Cristo tudo subsiste (Col 1.17). O JEJUM É MAIS UM BANQUETE COM  A PALAVRA DE DEUS QUE A  ABSTINENCIA DE COMIDA. JEJUAR E BANQUETEAR-SE! Jesus disse:" A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou (João 4.32,34)"

O JEJUM ROMPE LIMITES NA ESFERA ESPIRITUAL . CURTA ESSE PERÍODO E SAIBA QUE JEJUAMOS PARA DEUS MUDAR NOSSO CARÁTER E NOS REVISTIR DO SEU CARÁTER, não jejuamos para mudar sentenças, coisas, situações...JEJUAMOS PARA DEUS NOS MUDAR! 

Por Elder Cunha
Bibliografia:
- Bíblia Sagrada; 
- FOSTER, R. Celebração da disciplina  - 2ª ed - São Paulo: Editora Vida, 2007.
 

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22 de julho de 2012

Dízimos e Ofertas: a Luz da Escritura

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“Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7)"

 A Teologia da Prosperidade tem distorcido as práticas bíblicas do crente ofertar e dizimar para a Obra do Senhor, porém, temos a oportunidade de verificar à luz das Escrituras que a entrega dos dízimos e das ofertas é uma atitude de amor e gratidão a Deus. Não devemos fazer com tristeza ou por constrangimento, mas com alegria, pois tudo que possuímos não é nosso; foi o Pai Celeste que as confiou aos nossos cuidados. Tudo que temos pertence ao Senhor. Tudo vem dele - nosso trabalho, saúde, família. Temos de contribuir impulsionados pelo amor abnegado e desinteresseiro. Deus não está preocupado com a quantia que entregamos, mas com o nível de desprendimento, sacrifício e fé. Que sejamos mordomos fiéis do Senhor, sabendo que Ele é fiel para suprir todas as nossas necessidades. 

I. DÍZIMOS E OFERTAS NA BÍBLIA
 1. O Antigo Testamento. 
O termo hebraico ma’a sar (Strong 4643), significa ‘um décimo”; “um dízimo”; “décima parte” dízimo”. No contexto bíblico, o vocábulo hebraico re’sith, refere-se àquilo que é “o primeiro”, indica o mais elevado de alguma coisa, o melhor, o mais excelente, tal como as melhores partes das ofertas (1Sm 2.29). Por definição, Dízimo é a Décima parte; Ordenado pelo Senhor (Lv 27.30-32; Ml 3.10), com o propósito de sustentar os levitas (Nm 18.21) e sacerdotes (Nm 18.28), para ajudar nas refeições sagradas (Dt 14.22-27), e para socorrer os pobres, os órfãos e as viúvas (Dt 14.28,29).Encerra a lição de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5; Sl 24.1; Ag 2.8). Quando Israel deixou de entregar o Dízimo, isso foi uma demonstração de sua desobediência (Ml 3.8-10); de igual modo, ao retornarem com a praticar de apresentar os Dízimos, isso foi um sinal de reforma, como aconteceu nos dias de Ezequias (2Cr 31.55,6,12) e Neemias (Ne 10.37; 12.44). Além do dízimo, Deus fez registrar a propriedade das ofertas alçadas, ou seja, de contribuições esporádicas que fluíam dos corações de servos movidos pelo desejo de ir além, de sua contribuição dizimal, quer por mera gratidão, quer por uma causa específica, colocada por Deus perante eles, quer por uma necessidade extrema de auxílio, de caráter social (Êx 25-36). Esta perícope apresenta a construção do tabernáculo. A questão é: “Porque Deus não utilizou os dízimos de seu povo para esta necessidade”? A razão é que os dízimos deveriam ser aplicados ao sustento dos levitas, dos líderes religiosos, e serviriam à manutenção dos atos de adoração, não poderiam fazer face à necessidade específica, esporádica e extra-normal que agora era colocada por Deus perante seu povo. Deus os chamou, conseqüentemente, a contribuir com ofertas alçadas, extras (Êx 25.2). O vocábulo no original hebraico é t’rûmáh (Strong 8641), um presente oferecido em sacrifício ou como tributo; a idéia básica é de algo sendo levantado (alçado) e apresentado ao Senhor como uma dádiva especial, de forma voluntária. O fato que deve ficar patente é que as práticas do dízimo ou das ofertas não são instituídas a partir da lei mosaica,Moisés apenas sistematizou tais práticas (Gn 4.4; 14.20; 28.22; Nm 18.20-32).“[...] O dízimo pode ter começado no Antigo Testamento, mas seu espírito,verdade e prática, continuam válidos” (HAYFORD J. A Chave de Tudo. 1.ed., RJ: CPAD, 1994, pp.93-4). O dízimo é uma determinação procedente de Deus, que precedeu a lei cerimonial e judicial da nação de Israel (incorporando-se posteriormente a essas), sendo portanto válido para todas as épocas e situações. Como forma de subsidiar o comentário da lição, gostaria apenas de reforçar dois princípios neotestamentários sobre o dízimo que devem regular a nossa contribuição sistemática:

 2. o Novo Testamento ensina que nossa contribuição deve ser planejada
 “Cada um contribua segundo propôs no seu coração não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7). Nossa contribuição deve ser alvo de prévia meditação e entendimento nos indica, com muito mais força, que ele deve ser uma contribuição planejada, não aleatória, não dependente da emoção do momento. A melhor forma de planejar essa contribuição é a estabelecida nas Escrituras - dízimo, o reconhecimento de que tudo o que temos provêm e pertence a Deus. (2) Deus espera que a nossa contribuição seja proporcional aos nossos ganhos (1Co 16.2-3). Paulo está sistematizando a contribuição, orientando àquela igreja para que ela realizasse a coleta aos domingos (no primeiro dia da semana), que é quando os crentes primitivos se reuniam. Paulo enfatiza que temos que contribuir conforme Deus tem permitido que prosperemos. Temos ouvido muitas cousas impróprias acerca do Dízimo, muita argumentação falha que procura utilizar prescrições da lei cerimonial (cumprida em Cristo) ou da lei judicial de Israel (de caráter temporal, para aquela nação). Entretanto, temos, igualmente, muitos princípios válidos e exemplos sobre o dízimo, tanto no Velho como no Novo Testamento. Não é caso acusarmos o ‘não dizimista’ de ‘ladrão’ com base em Ml 3.8, haja vista esse texto fazer referência ao Templo-Estado. O Pr Caio Fabio escreve em seu livro " Sem Barganhas com Deus": O texto de Malaquias 3, sobre os dízimos, é o favorito da “igreja” nas questões de contribuições financeiras. O que não percebemos é que o N.T. não se utiliza dele como Lei da Graça quando se trata de dinheiro. O texto de Malaquias fala do Templo-Estado. A Igreja não é assim. Mas ao escolhermos, seletivamente, Malaquias como o Santo das Contribuições, sem o sabermos, estamos dizendo quatro coisas: 1) Nosso desejo de que a Igreja esteja para a sociedade assim como o Templo-Estado estava para a população de Israel; 2) Nossa seletividade arbitrária quanto a determinar o que, da Lei, nos é conveniente; 3) Nossa incapacidade de ver que Malaquias 3 tem sua atualização na Graça em II Co 8 e 9; 4)Nossa ênfase na idéia de que aquele que não contribui é ladrão, põe aqueles que “cobram” no papel de sacerdotes-fiscais dos negócios de Deus na Terra. Em Atos 5: 1-11, diz-se que dá quem deseja. Dar sem desejar ou dar mentindo gera morte,não vida. Ananias e Safira foram disciplinados pela Liberdade que nasce da verdade e não a fim de gerar medo legalista na Igreja. Eles morreram por terem traído a Graça de dar ou não dar, ser ou não. Eram livres para não dar, não para mentir ao Espírito Santo! Dar não os tornaria maiores. Não dar não os tornaria menores. Mentir a Deus os destruiria! [...] E mais, dízimos financeiros são despudoradamente “cobrados” como parte da continuidade da Graça sobre o homem-devedor, sendo que o mediador humano da benção é sempre o representante de Deus, daí sentirem-se donos do dinheiro — afinal, Deus só recebe sacrifícios que se convertam no milagre de fazer muito dinheiro encher os seus bolsos, seja pessoalmente, seja institucionalmente, seja empresarialmente!" (Caio Fabio, Sem Barganhas com Deus, p. 40,41). Nas epístolas, Paulo faz referência ao dízimo levítico para extrair dele o princípio de que o obreiro é digno do seu salário (1 Co 9.9-14; Lv 6.16,26; Dt 18.1). Se o apóstolo não reconhecesse a legitimidade da prática do dízimo, jamais teria usado esses textos do Antigo Testamento. Há uma concordância geral entre os eruditos de que o Novo Testamento nos ensina a dar substancialmente ao Senhor. Há também concordância de que ele é um Deus que se deleita em responder com graciosa provisão, especialmente para suprir necessidades especiais (Mt 6.25-34). 

II. A PRÁTICA DO DÍZIMO E DAS OFERTAS COMO FORMA DE ADORAÇÃO 
1. Reconhecimento da soberania e da bondade de Deus.
Um dos princípios básicos da prática do dízimo é o reconhecimento de que Deus é soberano sobre todas as coisas. Tudo vem dEle e é para Ele (Ag 2.8; Cl 1.17).Deus prometeu segurança ao povo de Israel (Dt 28.7), mas isto não descartava a possibilidade de a nação eleita passar por situações conflituosas. Não é o que estamos acostumados a ouvir em nossos púlpitos, o que se vê são as famosas frases de efeito do tipo: “Deus tem promessas para você”, “determine e receba o que Deus prometeu para a sua vida” ou “a promessa é sua, receba em nome de Jesus!”, sem que as pessoas muitas vezes conheçam realmente, à luz da Bíblia, o que as promessas realmente representam. Na idéia da ‘Formula da Fé’, estas frases são como “amuletos” que os crentes lançam mão, à hora que bem entenderem, a fim de suprir suas necessidades imediatas. Deus não está sujeito a nenhum outro domínio, sendo este um de seus atributos exclusivos. Assim, ele age soberanamente à luz do plano que traçou para o homem. Quanto aos propósitos, nada do que Deus faz tem a finalidade de produzir sensacionalismo ou fazer por fazer, mas cumpre objetivos coerentes com os seus desígnios soberanos. Em outras palavras, as promessas de Deus, quando aplicadas à nossa vida, só fazem sentido se tiverem em conta a soberania de Deus e o seu propósito em cada ato. Aliás, muitas são as adversidades daqueles que desejam viver piamente em Cristo (2Tm 3.12). Mas há promessas de proteção e segurança para o crente. É só confiar! Nós somos a propriedade particular de Deus (1Pe 2.9). Quando o crente devolve a Deus o seu dízimo, demonstra que reconhece o Senhor como a fonte de todas as coisas. À saudação de Melquisedeque: “Bendito seja o Deus Altíssimo!”, respondeu Abraão dando-lhe o dízimo (Gn 14.20). O princípio da devolução do dízimo demonstra que somos dependentes de Deus. É lamentável que alguns crentes ignorem esse fato e ajam como se as suas conquistas materiais fossem apenas mérito de seus esforços (Jz 7.2). Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) bem como as bênçãos materiais. Deus abençoa a todos sem distinção de raça, cor, credo, condição financeira, condição física ou educação. (Lc 9.23). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e enormes os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate e rejeitais os necessitados na porta. Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau. Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o DEUS dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.” (Am 5.12-14)  
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23 de novembro de 2011

Música gospel e direitos autorais

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Sempre fui contrário à proteção de louvores em entidades que lucram com os direitos autorais. Os louvores pertencem ao Autor da Vida e somente Ele tem a prerrogativa de ser o único proprietário de tudo, principalmente dos louvores que tem origem nos céus.

Outro dia fui postar um vídeo no YouTube e o mesmo retornou com uma mensagem “O seu vídeo pode conter música que pertence ou é administrado pela Entidade tal e qual”. Esta mensagem está me alertando para o fato de que eu estou utilizando uma música que é protegida pela lei de direitos autorais, inclusive em nível internacional.

Que música é essa? É um louvor a Deus. Alguém, inspirado pelo Espírito Santo, compôs uma linda música e a registrou como de sua autoria e propriedade, para impedir que seja veiculada sem que haja uma compensação financeira pela utilização da mesma. Isso inclui sua casa, rádio, tv, internet, igrejas, praças públicas, e toda forma de utilização, seja em forma sonora ou visual. O hilário dessa história toda é que num evento de formação de alunos no curso teológico, resolvemos cantar “Bendito seja o nome do Senhor”, traduzido da música gospel “Blessed be the name of the Lord”. Então, para cantarmos essa música, teríamos que ter autorização do autor, ou pagar por ela.

Vejam que triste essa situação: milhares de igrejas em todo o Brasil, cantam músicas gospel que estão protegidas por direitos autorais, sem pagar um centavo por isso. O certo, seria haver em todos os cultos, uma coleta especial para pagar “direitos autorais”, e esse valor ser depositado na conta das agencias administradoras de direitos autorais para que fossem repassados aos “autores”. Mas, quem faz isso? Estão os pastores conscientes disso, ou fazem vistas grossas para o fato?

E você, caro leitor, saiba que a maioria dos louvores cantados em sua igreja, estão protegidos pelos direitos autorais. Cantá-los sem pagar nada às agências administradoras desses direitos, é crime previsto em lei. Estamos comentendo crime enquanto louvamos? Sim. Tristemente. Estamos comentendo crime contra direitos autorais enquanto levantamos nossas mãos para louvar a Deus.

Por que coloquei “autores” entre aspas? Simples. Não somos autores de nada. Deus é o sumo Autor de todas as coisas. Não deveríamos nunca registrar um louvor em nosso nome muito menos cobrar por ele. Vou mais além: nunca um louvor deveria ser vendido, repito “NUNCA UM LOUVOR DEVERIA SER VENDIDO”, nem em forma de CD, DVD, download, ou outro meio qualquer, porque isso fere o princípio bíblico “de graça recebestes, de graça dai” (Mt. 10:8) e também do princípio de não podemos fazer do evangelho “causa de ganho” conforme I Tim. 6:5.

Alguem poderia indagar: então, como os cantores e cantoras gospel vão se sustentar? Resposta: trabalhando, e não fazendo do evangelho “causa de ganho”. Eles que vão trabalhar fazendo qualquer coisa, menos vendendo louvores. Louvor não é um produto vendável. É uma oferta a Deus. E oferta, não pode ser vendida. Não posso dar a Deus um louvor e depois copiá-lo e vendê-lo às pessoas. É um absurdo teológico inaceitável. Poderiam ser distribuidos para divulgação sem custo, pagando-se apenas a mídia. Isso seria um desestímulo aos comerciadores da Palavra de Deus: imaginem se ninguém mais comprasse CDS e DVDS gospel. O que cantaríamos? Os milhares de hinos compostos por verdadeiros cristãos e consagrados como livres de direitos autorais.

A Bíblia é um compêndio de livros de onde retiramos toda inspiração para pregar, adorar e fazer músicas. Essa fonte pertence a Deus, que é o Autor dela. Os fragmentos dessa Autoria não podem ser utilizados e registrados em nome de homem algum. Registrá-los como direitos autorais de alguém, é mentira.

Autor de vários hinos cristãos de livre utlização.

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22 de outubro de 2011

As falcatroas do Julgamento de Jesus Cristo

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Hoje gostaria de abordar o julgamento mais comentado da história geral, o Julgamento de Cristo Jesus.

Cabe salientar, em primeiro lugar, que Cristo fora condenado não por suas práticas milagrosas ou por ter violado o sábado, mas pelo simples fato de ter se nomeado o Filho de Deus e o próprio Deus encarnado, em outras palavras, a questão de seu julgamento seria a sua identidade. As autoridades religiosas e os próprios judeus acreditavam que as afirmações de Jesus eram uma blasfêmia e por essa razão deveria ser julgado e condenado.

Podemos destacar que Cristo, durante seu ministério público, jamais deixou de enfatizar a relação fraternal que Ele mantinha com o seu Pai e jamais deixou de anunciar quem Ele realmente era. Não só Jesus se auto intitulou ser Deus (YHWH) (João 5.17-18; João 8.19-58), como também seus seguidores e discípulos o reconheciam como o Messias e Filho do Deus Altíssimo.

Quanto ao seu julgamento:

O propósito declarado dos líderes religiosos judeus era, conforme se lê em Mateus 26:4 prender Jesus, à traição, e mata-lo. Mas diziam: não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo. Isso posto, o que interessava a eles não era a legalidade, e sim, desfazer-se de Cristo de qualquer modo. Por esta razão, eles praticaram tantas e tão graves irregularidades, durante o julgamento de Jesus. Essas irregularidades por si só teriam anulado o julgamento.

Consideremos três lances decisivos desse injusto julgamento.

1) O Exame preliminar João 18:19,24. O propósito desse interrogatório era reunir provas contra Ele. Na verdade o Senhor não aceitou essa irregularidade, insistindo que apresentassem as acusações contra Ele, afinal as acusações devem vir antes de qualquer interrogatório, como se vê os judeus já estavam dispostos a condenar o inocente antes do julgamento começar. Bastaria isso para desqualificar os juizes diante de qualquer tribunal sério.

2) O julgamento noturno ilegal. Segundo uma estipulação da lei judaica era proibido fazer julgamento à noite. Mas, ou as autoridades religiosas judaicas passavam por cima desta lei ou correriam o risco de não conseguir condenar a Jesus. Enquanto o Sinédrio se reunia, os principais sacerdotes trabalhavam freneticamente para arrumar testemunhas de acusação disposta a mentir, mas, embora estavam todas arranjadas e preparadas para mentir não havia concordância entre elas marcos 14:56.

3) A decisão matinal determinada. A reunião de sexta feira pela manhã, teve o propósito de prestar um ar de legalidade à decisão tomada na noite anterior, e planejar como a questão seria apresentada à Pilatos. A acusação que o Senhor teria blasfemado ao afirmar que era o filho de Deus era uma acusação religiosa e certamente Pilatos não daria ouvidos a esse tipo de acusação. Além do mais não foi averiguado os fato para ver se Jesus estava falando a verdade ou era mesmo uma blasfêmia.

O julgamento romano

1) Tentativa de evasão. Os judeus deram a entender que queriam que Pilatos cedesse à vontade deles, encarregando-se o governador somente da execução do réu, mas deixando com eles o direito de sentenciá-lo a morte. Todas a razões dos líderes religiosos eram vãs e o governador seria obrigado a declara-lo inocente. Marcos 15:10. Acusação sem fundamento. As acusações giravam em torno de três questões básicas:

Jesus pervertia a nação;

Impedia o pagamento de impostos; e

Declarava-se rei.

As duas primeiras foram descartadas, só a terceira foi que Pilatos deu maior atenção.

3) Exame e absolvição. O dialogo entre Pilatos e Jesus foi breve. Diante da pergunta de Pilatos: "És tu o rei dos judeus?" Jesus mostrou que não se interessava por qualquer poder político deste mundo, quando respondeu: João 18:38,38. Bastou isto para Pilatos ficar convencido da inocência de Jesus, por isso lemos que terminado o diálogo Pilato disse: Eu não acho Nele crime algum. Ora este veredicto deveria ter posto fim a esta questão.

4) O parecer de Herodes. Na tentativa de se livrar do problema, Pilatos mandou a questão até Herodes, o qual após ridicularizar, humilhar e bater em Jesus mandou de volta, o que ficou claro que nem mesmo Herodes achou algo que o condenasse a morte Lucas 23:14,15.

5) Jesus ou Barabás. Vemos que o criminoso foi solto e que o inocente foi vitima dos mais cruéis castigos que alguém poderia suportar. Pilatos procurou inocentar-se do crime que estava por cometer ao dizer : Estou limpo do sangue deste INOCENTE. Mas a reação do povo foi : Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos ! Mateus 27:17,26.

6) Eis o Homem. Em último apelo aos sentimentos de humanidade dos judeus, Pilatos apresentou Jesus, sangrando com as chicotadas recebidas, com a coroa de espinhos na cabeça e com o manto púrpura, com que os soldados romanos haviam zombado e tripudiado dele. As palavras de Pilatos, ao exibir Jesus à furiosa multidão, devem ter soado extremamente fora de lugar e sem sentido: "Eis o homem!"(João 19:5).

7) A sentença. E, pela última vez, Pilatos sentenciou: "Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum" (João 19:6). E também pela ultima vez, os judeus incrédulos sentenciaram: "Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus"(João19:7). Então Pilatos entregou Jesus às mãos das autoridades judaicas, para que ele fosse crucificado. Estava terminando o julgamento. Os dois maiores tribunais do mundo tinham acabado de decretar a maior injustiça que já se cometeu oficialmente à face da terra. Nem o tribunal religioso e nem o tribunal civil serviram, realmente, à justiça! Foi somente para tentar aplacar aos judeus que Pilatos permitiu a crucificação de Jesus! Alguns anos mais tarde, Pilatos foi tirado do governo da Judéia, e acabou se suicidando, embora, para isso só contemos com tradições um tanto duvidosas. Mas, antes disso, ele deve ter tido muitos pesadelos que envolviam um obscuro carpinteiro da Galiléia, a quem não se fizera justiça!

O Caminho foi oferecido, mas NÓS O rejeitamos e O desvíamos. Pense nisso!

Por Elder Cunha

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19 de outubro de 2011

Idolatria Evangélica "Neognosticismo"

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Observando o evangelicalismo popular brasileiro, mais conhecido como "zoológico gospel", podemos identificar muitas aberrações e zombarias com aquilo que chamamos de sagrado. É impressionante como Satanás tem procurado enganar os cristãos, conduzindo-os para longe da pureza e da simplicidade encontradas em Cristo, que é todo suficiente ( II Cor 11.3), e sempre tem encontrado pessoas dispostas a renegar a verdade em troca de qualquer coisa nova e incomum. Buscar algo mais é como bater freneticamente numa porta, a procura do que está lá dentro, sem perceber que você tem uma chave em seu bolso para abrir a porta.

Uma das primeiras negações a suficiência de Cristo foi o gnosticismo, uma seita que surgiu nos primeiros quatro séculos da história da igreja. Criam que possuíam um nível de conhecimento espiritual mais elevado do que o crente comum e que esse conhecimento secreto era a chave para a iluminação espiritual e salvação. Tal heresia levou muitos na igreja a buscarem um conhecimento oculto, além daquilo que Deus já tinha revelado em sua Palavra e através de seu Filho.

O gnosticismo, na realidade, nunca morreu. Traços de sua influência tem infectado a igreja através de sua história. Atualmente, uma tendência neognóstica de se buscar conhecimento oculto vem ganhando uma nova influência e trazendo consigo resultados ruins. Isso acontece em ambientes (igrejas) onde são toleradas uma doutrina imprecisa e uma negligente exegese bíblica. Tais fatos levam as pessoas a buscar algo mais que a simples suficiência que Deus providenciou em Cristo. Hoje, como nunca antes, a igreja tem se tornado negligente e atordoada quanto a verdade bíblica, e isso a tem conduzido a uma busca sem precedentes pelo conhecimento oculto. Isso é neognosticismo.

Um dos problemas do neognosticismo é o pragmatismo, ou seja o fim justifica os meios, mas será que justifica mesmo? As igrejas, em seu zelo por atrair incrédulos, estão incorporando quase todo tipo de entretenimento. Trata-se de uma tentativa de alcançar seus objetivos espirituais através de uma metodologia humana e carnal e não por meio do poder sobrenatural.

Essa questão nos leva a uma outra palavra chave, chamada: Idolatria Evangélica.

“ Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”. 1 Coríntios 3:10-11.

Muitos evangélicos entendem como idolatria apenas o fato de pessoas adorarem imagens de escultura, motivo esse que sempre foi principal ponto de divergência com os católicos. No entanto temos visto tantos absurdos nas igrejas Evangélicas que podemos questionar até que ponto a IDOLATRIA, ainda que de forma diferente, têm sido uma realidade assustadora entre nós?

O QUE SERIA IDOLATRIA?
Adoraração a imagens? Certamente não!IDOLATRIA é tudo aquilo que “substitui” a suficiência da Pessoa de Jesus Cristo e sua Palavra.

A referência bíblica supracitada Paulo nos ensina que ninguém pode lançar outro fundamento além do que já foi posto, que é Cristo. Quando passamos a lançar outros fundamentos que não seja Cristo Jesus, logo estamos tentando substituí-lo e por isso nos tornamos IDÓLATRAS.

As igrejas evangélicas não possuem imagens de “santos” nem de outros deuses, mas praticam a idolatria devido a tantos outros “fundamentos” que se têm lançado. Não é a toa que Paulo alerta: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” II Cor 11:3 .

Como nós evangélicos temos nos afastado da simplicidade que há em Cristo. Nós já temos, em Cristo, tudo que precisamos para enfrentarmos qualquer provação, tentação, dificuldade com as quais possamos nos deparar nesta vida. Mesmo o recém convertido possui recursos suficientes para cada neceissade espiritual que possa ter. A partir do momento da salvação, cada cristão está em Cristo ( II Cor.5.17), e Cristo está nele (Cl.1.27). O Espírito Santo habita no cristão (Rm 8.9), e o cristão é seu santurário (I Cor 6.19). Portanto, cada cristão é um depósito de riquezas espirituais divinamente outorgadas. Nenhuma outra coisa (segredo oculto, doutrina) pode levar o cristão a um nível mais elevado de vida espiritual. (II Pe.1.3)

Ocorre que se tem lançado tantos outros fundamentos fora de Cristo e por isso, muitos de nós se tornado idólatras. Podemos constatar isso mediante aos falsos ensinos e heresias que estão se alastrando dentro das igrejas. Se pregam por aí, tantas “abobrinhas e chuchus", valendo-se de passagens bíblicas fora de contexto e interpretações equivocadas. Até parece que o sacrifício vicário de Jesus Cristo não há mais valor, pois damos mais espaço para outras formas de redenção e justificação.

Como se tem induzido o povo a confessar os seus pecados cometidos desde a infância, e aonde fica nossa total redenção conquistada lá na Cruz? E o perdão e a vida nova em Cristo ? Não existe mais? O que falar do ensinamento que devemos nos “judaizar”; tocar shofar; guardar os sábados; adorar réplicas mal feitas da arca da aliança, como se o véu do santuário não estivesse rasgado e como se o Santo dos Santos já não estivesse aberto para nós - através do sangue de Cristo.

A Bíblia é bem clara e nos nos revela as maravilhas de Deus através de Jesus, porém muitos preferem os rituais e as técnicas e tantos outros fundamentos fora do Salvador.

“E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo”. Mc 15:38

“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, PELO SANGUE DE JESUS, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é , pela sua carne;” Hb 10:19-20.

Como se fosse pouco a barbaridade de tentar anular a Graça e lançar o fundamento da lei, muitos corrompem o Evangelho e acentuam a ganância do homem lançando outro fundamento, que é a cobiça.

A teologia da prosperidade tem colocado dentro das igrejas um altar para o deus da riqueza, Mamom. Toda sorte de barganhas e negociações têm sido ensinada aos cristãos, inclusive atribuindo o tamanho da “bênção de Deus” aos bens materiais que se possui, como se nossa herança não fosse eterna.

Inúmeros amuletos e elementos de idolatria também têm sido valorizados em nosso meio, como se esses, em si mesmos, possuíssem poder para liberar bênçãos divinas. Podemos iniciar a lista dos patuás gospel com o “óleo ungido”, atual água benta dos evangélicos, utilizado como “ativador” de unção e milagres, vendidos de várias formas em pequenos vidrinhos com instruções para “ungir” paredes, portas, comida e até cuecas dos maridos mais assanhados.

Na onda do sincretismo religioso, encontramos também as pulseiras proféticas, saquinhos milagrosos contendo areia da terra santa, garrafinhas com água do Rio Jordão, fogueiras santas, rosas ungidas, sal grosso, sabonetes da cura, a chave que abre portas e tantas outras práticas ocultistas e supersticiosas com roupagem evangélica. E o que falar da meia do "apóstolo Valdomiro"? Não há o que falar, só se lamentar por tamanha ignorância e meninice desse homem. Que tal trocarmos as meias desse homem pecador, pelo sangue de Cristo Jesus, que é gratuido? Esse sim poderoso e milagroso.

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” Gálatas 1:6-9

Submeter-se a vontade de Deus é a pedra fundamental da vida cristã. Pense nisso!

Por Elder Cunha

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17 de outubro de 2011

Bom Dia Espírito Santo? Conta outra...Benny Hinn!

3 comentários

Gostaria de com essa postagem, deixar bem claro minha insatisfação com aqueles que não encontram em Cristo Jesus e nas Escrituras a suficiência de se viver a plenitude da vida cristã. Homens e mulheres que se intitulam autoridades de Deus, entretanto se  valem do pragmatismo e do misticismo para manipular vidas e as enredar com suas práticas e filosofias chulas.

Qual cristão, ainda, não ouviu comentários ou efetuou a leitura do livro Bom Dia Espírito Santo, cujo autor é o conferencista e "revelacionista" Benny Hinn ? Enfim, aprecie com moderação o artigo abaixo.

Artigo publicado por Solano Portela. Visite seu site! http://www.solanoportela.net/

"Vamos presumir a familiarização dos leitores com Benny Hinn e com a linha doutrinária exposta em seus livros, a qual está plenamente inserida dentro do movimento carismático contemporâneo. Tendo já escrito, anteriormente, Bom Dia, Espírito Santo (Bompastor Editora, 1993), temos agora mais um trabalho dentro do mesmo tema e já o anúncio de que haverá uma próxima obra sobreOs Dons do Espírito Santo, a ser publicada logo a seguir (p. 348, do livro resenhado, Nota 10).

À semelhança de seus trabalhos prévios, além de algumas exposições bíblicas, o livro é extensamente autobiográfico. Ele contém detalhados relatos pessoais sobre a sua infância, em Israel (p. 73), sobre a influência recebida de seus familiares (pp. 74-76), sobre a sua conversão e momentos difíceis vividos após ela (pp. e 83), e sobre a sua numericamente bem-sucedida carreira, no campo do evangelicalismo moderno. Esta carreira culmina com a fundação do Centro Cristão de Orlando (Orlando Christian Center), uma igreja interdenominacional com mais de sete mil membros registrados (p. 154). Esta linha autobiográfica torna a obra interessante à leitura, e serve de veículo para a canalização das inúmeras experiências extraordinárias relatadas pelo autor, que já fazem parte ordinária de sua vida: por exemplo, ele registra sua conversão em 1972, quando deveria ter entre 20 a 21 anos de idade (P . 21), mas já aos 11 anos teria tido uma "visão do Senhor Jesus," (p. 19) na qual pode observar "as marcas dos pregos em suas mãos" (p.20); . Possivelmente, encontraríamos também, neste aspecto íntimo e pessoal do livro, aliado à fácil linguagem e desenvoltura na narrativa, a explicação pela popularidade e ampla aceitação das suas obras.

Também a exemplo dos livros anteriores, Benny Hinn relata vários diálogos com Deus, com o Espírito Santo, e revelações diretas recebidas dele (exemplos: p. 122 - onde o nome do seu primeiro filho foi revelado, anos antes dele nascer; ou a revelação sobre a sua segunda filha, que "seria uma grande guerreira de oração", na p. 123). Ficamos intrigados com estes relatos: será apenas uma forma hiperbólica de expressão? Será simplesmente uma maneira retórica de registrar a comunhão normal que os crentes mantêm com o Espírito Santo, como aquele que habita em cada um dos preciosos redimidos de Cristo? Será que um crente comum, não iniciado nesta casta super-espiritual, não expressaria as mesmas situações vividas, dizendo o seguinte: "fiquei pensando no assunto, pedindo a orientação de Deus em oração e saí com a convicção de que este deveria ser o curso d e ação seguido; ou de que este ou aquele nome honraria a Deus na minha criança; ou ainda, de que deveria aplicar todos os meus esforços, sob a orientação de Deus, para que a minha filha fosse consagrada e uma bênção em sua vida..." Mas não, a forma como Benny Hinn coloca as coisas, transmite a idéia de que ele vive sua vida em um estágio perene de revelação. O extraordinário e o incomum já fazem parte do seu cotidiano. Por exemplo: falando sobre o evangelista inglês Smith-Wigglesworth, famoso por sua atuação no campo da cura e influente na família de sua esposa, ele registra, sem o mínimo grau de questionamento ou cautela, a declaração que "19 pessoas ressuscitaram dos mortos através do ministério dele" (p.117).

Podemos tirar, entretanto, uma conclusão dos seus relatos destas interações com o Espírito Santo: Estes diálogos revelacionais, supostamente mantidos, nãoconstituem garantia de certeza quanto aos passos revelados. Como exemplo disso, temos o registro de seus planos para a fundação de uma igreja. Diz ele que já sabia "que Deus queria que eu começasse uma igreja", e que "também sentia que sabia exatamente onde ela deveria ser: Phoenix, Arizona" (p. 149). Esperar-se-ia que uma revelação tão precisa, advinda da parte de Deus, estaria acima de qualquer reversão posterior. Ocorre que existiram várias "revelações" subsequentes, dadas a amigos colaboradores seus, à sua esposa, e até a um homem a quem ele não conhecia, e que lhe disse: "O Espírito Santo está me dizendo que você deve iniciar uma igreja em Orlando..." (p. 150). Estas "revelaçõ es" adicionais (se bem que contraditórias à primeira) o levaram a "ouvir" do Espírito Santo: "Benny, você deve iniciar uma igreja em Orlando" (p. 151).

Qual a nossa conclusão? Que a primeira "revelação" era errônea, mas a segunda verdadeira? Qual o crivo a que devemos submeter as revelações de Benny Hinn, para saber se vêm do Espírito? Temos que aceitar tácita e tranqüilamente estas "revelações" que supostamente advêm do Espírito e que nos são apresentadas como normativas em nossas vidas, quando ele próprio registra a contradição (mas não dá sinais de admitir o exagero retórico de suas colocações)? Temos de responder pelo menos com três sonoros nãos. Não devemos deixar que sejamos manipulados por qualquer um que venha supostamente trazendo a palavra autoritária do Espírito, transcendendo e sobrepondo-se à verdadeira revelação que nos foi dada nas Escrituras Sagradas. Não devemos deixar que experiências pessoais, intangíveis e inverificáveis, nos sejam impingidas como norm ativas em nossas vidas. Não devemos deixar de exercitar a cautela dos Bereanos.

Este aspecto contraditório do seu ministério, está presente em outras partes do livro. Ele informa que foi dirigido especificamente pelo Senhor para jogar o paletó em cima das pessoas, para que recebessem a unção do espírito (p. 325), mas hoje já não faz mais isso, porque as pessoas passaram a vir "às cruzadas,esperando ver-me tirando o casaco e usando-o como um meio de trazer a unção" (p. 327); ele defende "o riso santo" e descreve como isto ocorreu pela primeira vez, em uma de suas reuniões, em Portugal (p. 329), mas adverte que "quando as pessoas começam a buscar a manifestação ao invés do Mestre, a presença de Deus se retira" (p. 330). Nestas colocações ele aparece no mínimo indiferente ao fato de que o seu ministério é basicamente mais propagador das manifestações do que do próprio Mestre, e que ele é o respons ável por incontáveis imitações desuas manifestações. Indagamos ainda: se o Espírito supostamente lhe direcionou a que passasse a jogar o paletó, porque o seu julgamento, de que tal mesura passara a ser inapropriada, iria se sobrepor ao direcionamento anterior do Espírito? Detectamos, no mínimo incoerência com suas próprias premissas.

Os melhores pontos do livro, são aqueles em que ele se refere à Palavra e se limita à exposição bíblica sobre a pessoa e obra do Espírito Santo. Encontramos uma boa exposição da personalidade do Espírito (pp. 45 a 60); da sua divindade(pp. 64 a 72) e ele ocupa dois capítulos, se bem que intercalados com notas autobiográficas sem muito relacionamento com o contexto, com uma exposição dos seus nomes e títulos (capítulos 4 e 5 - pp. 97 a 116 e 124 a 145). Na teoria, ele defende até a posição histórica da Igreja, fazendo referência ao Credo Niceno (p.32), e enaltecendo a forma de tratamento à trindade ali encontrada. Mas a impressão deixada é que essas âncoras bíblicas de conhecimento sobre a pessoa do Espírito Santo, não chegam a ser tão fundamentais assim no desenvolvimento de sua teologia e prática. Esta é muito mais construíd a nas suas experiências pessoais e extraordinárias do que na Revelação Bíblica que nos ensina quem o Espírito Santo é e o que faz. O "Como Experimentar a Dinâmica", do subtítulo do livro é, na realidade, extraído dos relatos sobre o que aconteceu com o próprio Benny Hinn e com pessoas que o influenciaram, e não como fruto de uma exposição cuidadosa das prescrições bíblicas.

Por exemplo: Numa reunião, ele experimentou o poder do Espírito Santo, descrito como uma "intimidade muito grande com o Senhor, algo maior do que qualquer coisa que eu conhecia, uma experiência que causa impacto na minha vida até hoje" (p. 24). Esta experiência foi precedida por uma ânsia. Esta mesma ânsia é prescrita ao leitor como sendo o passo inicial para que possa ter uma experiência semelhante: "Esta ânsia é muito importante. Na verdade, é a primeira chave para se experimentar a atuação do Espírito Santo..." (p. 25). Hinn não se preocupa se este sentimento ou sensação faz parte das prescrições doutrinárias das Escrituras sobre a pessoa do Espírito Santo e o seu relacionamento com os seus -- a experiência volta a falar mais alto que a Palavra.

Em adição, apesar de Benny Hinn registrar o ensinamento bíblico que o Espírito Santo "nunca exalta a si mesmo, mas sempre glorifica e engrandece o Senhor Jesus" (p. 32) o tratamento dado ao assunto parece demonstrar exatamente o oposto. Este grande ponto, que, no nosso entender é a chave para o desenvolvimento de uma pneumatologia bíblica, é intensamente negligenciado e subvertido pelo movimento pentecostal e neo-pentecostal, resultando nas distorções litúrgicas e doutrinárias observadas nesses segmentos.

O resgate da Cristologia verdadeira, passa pelo reconhecimento e incorporação prática, das explicações de Jesus sobre a obra do Espírito Santo (João 14 a 16) -- ou seja, a Pneumatologia verdadeira é aquela que é Cristocêntrica. Ocorre que tal reconhecimento tem de ir além de meros registros e da retórica, como o faz Benny Hinn, pois eles se anulam quando as experiências se sobrepõem à Palavra. Apesar da declaração contrária, a observação que temos destes segmentos denominacionais e do livro, como um todo, é que espera-se sempre que o Espírito fale de si mesmo.

Para Benny Hinn, as razões motivadoras da Reforma e o grande abismo doutrinário que separa o Catolicismo Romano do Protestantismo Histórico, devem ser meras firulas doutrinárias; simples detalhes insignificantes que não devem se intrometer na interpretação estendida que deve dar ao "ecumenismo interdenominacional" que pratica. Com efeito, ele registra que no início do seu ministério, "um grupo de padres católicos de várias igrejas, patrocinou minhas reuniões no norte do Canadá" (P. 290). Nessa ocasião, foi convidado pela madre superiora de um hospital católico para conduzir um culto, "juntamente com outros três pastores pentecostais e sete sacerdotes católicos" (P. 291). O objetivo daquela visita era a cura, praticada e obtida, naquele hospital.

Estas manifestações são classificadas como "avivamento" (P. 295) e nenhuma menção é feita ao ministrar da cura espiritual à alma, providenciada pelo Evangelho Salvador de Cristo, sem intermediários outros que não o próprio Cristo, sem recursos outros que não a própria fé, que é dom de Deus. Na realidade, o ponto alto daquele "avivamento" foi quando um dos padres, sem entender muito bem o que estava fazendo, percorreu os corredores daquele hospital com o braço levantado, aplicando a cura aos enfermos que encontrava, aplicando a "unção" do Espírito.

Em conclusão, não podemos deixar de notar a ironia que é o fato da grande influência na vida e ministério de Benny Hinn, com suas peculiaridades doutrinárias tão marcantes, ter tido origem em uma igreja Presbiteriana, sob a égide de um ministério feminino, cuja ênfase era totalmente nas prolongadas sessões de cura. Nas páginas 21 a 29 lemos como a sua presença em uma dessas seções de cura, dirigida por Kathryn Kuhlman, na Primeira Igreja Presbiteriana de Pittsburgh, em 1973, foi o ponto de partida de todo a sua carreira formando as características principais que o identificam até os dias de hoje. Ele próprio fala da semelhança do seu ministério "com o de Kathryn" (p. 335). Obviamente esta reunião ocorreu em um segmento do presbiterianismo que já havia ab-rogado os seus fundamentos confessionais (haviam adotado a herética "Confissão de 1967") e que aber tamente negligenciava os parâmetros doutrinários e litúrgicos da Reforma, abrigando a ordenação feminina. Como no Brasil temos a tendência de imitar retardadamente os trejeitos e modismos eclesiásticos do mundo religioso norte-americano, ignorando até quando os resultados no país de origem se mostram espiritualmente deletérios, será que não poderíamos enxergar aqui um aviso para nos mantermos, como igreja, fora deste curso perigoso?"

Por Solano Portela

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