27 de outubro de 2013

O que é Propiciação e Propiciatório?

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 A palavra propiciação ( no grego hilasmos = aquilo que propicia, ou ainda sacrifício propiciatório = favorável a nós; no hebraico Kipper = juntar as partes opostas) descreve um aspecto importantíssimo acerca de nossa salvação. Essa palavra vem abordar o problema do pecado em relação a Deus. Literalmente essa palavra trás a ideia de acalmar a ira de Deus, já que sua ira é revelada dos céus contra toda impiedade. (Rom 1.18)
Paulo se refere à obra salvadora de Jesus Cristo como uma obra de propiciação (Rm 3.25). João também diz que Cristo fez propiciação pelos nossos pecados (1Jo 2.2 e 4.10). A respeito da encarnação de Cristo, o escritor de Hebreus afirma: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo." (Hb 2.17). Diante disto precisamos saber o que significa fazer propiciação. Entender o que é propiciação é entender a natureza do que Deus fez por nós em Cristo.
Quando lemos João 3.16: ”Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pareça mas tenha vida eterna” e efetuamos a leitura de Romanos 3.25-26; “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”, afirmamos como Grudem  (2010, p.88): “Cristo veio para conquistar a nossa salvação por causa do amor fiel de Deus e sua justiça”.
Assim, afirmamos que Deus ofereceu seu Filho Jesus como propiciação, ou seja, um sacrifício que faz Deus olhar de maneira favorável à nós. Paulo afirma que isso ocorreu para demonstração da justiça de Deus (Rom 3.26), que quer dizer, Deus de alguma forma precisava punir os pecados anteriormente a Cristo vir a esse mundo, isso em função de sua justiça. Assim sendo, alguém teria que pagar esse preço e beber do cálice da ira de Deus, e essa pessoa foi Cristo Jesus.
 Propiciação e Propiciatório no Antigo Testamento um tipo de Cristo
 Para uma maior abrangência desse termo nos faz necessário retroagirmos a antiga aliança. No Antigo Testamento somente o sumo-sacerdote podia entrar no Santíssimo lugar uma vez ao ano, onde carregava o sangue do sacrifício para aspergir o propiciatório, após ter queimado incenso sobre ele. (Levíticos 16.1-15). Essa era a parte final daquele ritual sacerdotal que servia para restaurar a comunhão do homem com Deus. Bancroft escreve (2011, p.150):
O propiciatório era aspergido com sangue, no dia da expiação, simbolizando que a sentença justa da lei havia sido (tipicamente) imposta; pelo que o lugar que, doutro modo, seria o local de julgamento, podia cm justiça ser propiciatório.
O propiciatório, (Êxodo 25.17-27) era uma placa (tampa) de ouro puro usada para cobrir a Arca, encimada por dois querubins um em frente do outro, com suas asas estendidas. Dentro da Arca estavam as tabuas da Lei que acusavam os homens de seres pecadores. Os querubins representavam a presença do Senhor e são seus instrumentos escolhidos de juízo, para qualquer presença pecadora.
O propiciatório protegeu o homem do juízo de Deus por causa do sangue que era aspergido sob ele. O próprio Deus ordenara que um animal fosse oferecido como sacrifício, e ao ver aquele sangue derramado, Ele não manifestava sua ira face ao pecado da nação, ou seja, tal ira era aplacada e desviada sob aquele animal morto entregue como sacrifício. Esse ritual fazia parte de uma cerimonia em Israel, mediante seu arrependimento solene buscava o perdão de Deus e a sua misericórdia pelos pecados cometidos no ano anterior.  
No hebraico do Velho Testamento a palavra propiciação significa "cobrir" (Lv 4.35 - o termo "fazer propiciação" é literalmente "cobrir"). A ideia é de que o pecado ou a pessoa que pecou é coberta diante de Deus. Como diz Habacuque, o Senhor Deus é tão puro de olhos que não pode ver o mal (Hb 1.13) e ficar impassível. Por causa da natureza santa e justa de Deus, o pecado provoca nele uma reação de desprazer, de ira, de indignação e de punição. Por isso a cobertura ou propiciação é provisão de Deus que visa "cobrir o pecado dos seus próprios olhos", desviando, assim, a sua santa ira e seu desprazer.
Desta forma podemos afirmar que o propiciatório do Antigo Testamento é um Tipo de Cristo conforme afirma Bancroft (2011, p.150):
Em cumprimento a esse tipo (lugar propiciatório), Cristo mesmo é o hilasmos, ou seja, aquilo que propicia e também o hilasterion, isto é o lugar da propiciação – o propiciatório aspergido com Seu próprio sangue – sinal de que, em nossos lugar, Ele honrou de tal modo a lei, ao receber contra Si a justa sentença da lei, que Deus, que sempre previu a cruz, foi vindicado por não haver levado em conta os pecados cometidos desde Adão até Moisés bem como os pecados dos crentes que viveram no tempo do antigo pacto, e agora foi vindicado por mostrar-se justo ao declarar justos os pecadores crentes que vivem sob a nova aliança.
 A necessidade da propiciação em Cristo Jesus
 O pecado tem um preço e o seu preço é a morte (Ez 18.20 e Rm 6.23). O pecado é tão sério aos olhos de Deus que exige a morte do pecador. A única maneira de se aniquilar o peso do pecado é com a morte. Por isso Deus instituiu o sacrifício no culto do Antigo Testamento para ensinar este aspecto. É a morte, através do derramamento do sangue, que faz a propiciação e expiação dos nossos pecados.
Podemos assim afirmar que propiciar é colocar-se a favor de alguém. O homem que estava contra Deus, sendo guiado por si mesmo e seus pecados, e, portanto o juízo de Deus estava contra ele, de maneira que algo deveria ser feito para que Deus pudesse estar a favor do homem e não irado contra ele.
Desde a queda, tornamo-nos pecadores separados de Deus e sujeitos à morte (Rm. 3.23; 6.23). A Bíblia apresenta a ira de Deus contra o pecado dos homens, comprovando assim a necessidade de uma propiciação (Sl. 5.4-6;  Rm. 1.18; 2.5,8; Ef. 2.3; Cl. 3.6), pois Deus não inocentará o culpado (Ex. 34.7; Nm. 14.18).
Jesus é a nossa propiciação. Para defender-nos diante do tribunal de Deus era necessário que a lei violada por nós fosse cumprida e que a justiça de Deus ofendida por nós fosse satisfeita. Ele tomou sobre si os nossos pecados, sofrendo o duro golpe da lei em nosso lugar, levando sobre si a nossa culpa, bebendo sozinho o cálice da ira de Deus contra todo pecado. Pelo seu sacrifício, nossos pecados foram cancelados. Agora estamos quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus. Somos justificados, onde Cristo Jesus é a nossa propiciação pelos nossos pecados.
O Senhor Jesus tinha consciência plena do objetivo de sua encarnação e previu que sua morte seria expiatória e substitutiva (Mt. 20.28; Mc. 10.45; Jo. 10.11,17,18). João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29), identificando-o com o cordeiro dos sacrifícios do Antigo Testamento e com a profecia de Isaías 53.7.
Os sacrifícios de animais, como vimos, aplacavam a ira de Deus momentaneamente. Por isso foi necessário a vinda de Jesus para morrer por nós e ser a nossa propiciação diante de Deus. Como está escrito: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito” (1 Pe 3.18).
Jesus Cristo foi a propiciação pelos nossos pecados de uma vez só, sendo um sacrifício perfeito e único. Não foi o sangue de um animal, mas o sangue e Cristo aspergido por nós que tem efeito para sempre.
 Conclusão
 A propiciação é uma dos pontos primordiais do evangelho, com a qual destaca os atributos de Deus: santidade, justiça e amor, evidentes em sua sua obra salvadora.
 Bibliografia
 BANCROFT, E.H – Teologia Elementar. São Paulo: EBR, 2011.
 GRUDEM, W. A – Entenda a fé crista: um guia prático e acessível com 20 questões que todo cristão precisa conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2010.
LOPES, H.D – Como ter garantia da salvação? São Paulo: Hagnos, 2010.

Autor: Pr Elder S Cunha

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